
Lídia Borges, in Desarrumos (2025:p.52)
Pensando bem, os versos
sempre serviram de morada
às coisas tocadas por uma certa intimidade.
Coisas de que gosto, sei lá…
O vento de verão ou de outono,
o perfume que ele traz do mar,
ou de um prado, depois da chuva
Sei lá…
Uma magnólia de janeiro,
os plátanos do parque abertos
ao esconde-esconde das crianças…
Cada vez sei menos sobre essas coisas
tocadas por uma certa intimidade.
Só coisas de que gosto me cabem nos versos.
Só coisas de que gosto.
Hoje, esta rua…
Sim, esta rua, esculpida a chuva e vento
daria um belo poema.
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