domingo, 14 de dezembro de 2025

Domingo (IX)

 


Ao domingo há mais tempo livre – continuamos a dizer, mesmo que o tempo livre queira dizer, mais que tempo vago, tempo de maior disponibilidade mental, sobretudo, para fazer aquilo que se vai adiando até não se poder adiar mais.

Daqui por uns dias, o tempo livre, cá em casa, vai de férias. Nesta época natalícia, quando regressam, por um curto período de tempo, os que estão longe, a casa enche-se de vozes, risos e correrias. Só há tempo para viver a família, aproveitar, sentir a evolução das crianças que, embora se ouçam ao longe, só quando estão perto são verdadeiramente reais, e, tocáveis seus abraços e beijos, suas brincadeiras, alegrias e traquinices.

E por falar em conversas ao longe:

Vídeo chamada - (Noruega | Portugal )

 

Está quase a chegar o Natal, Matias. Daqui a pouquinho, já tens de fazer a mala.

Pois é, mas… ainda tenho muito trabalho à minha 

espera…

Ai, sim? Conta lá, então.

Muuuita, muuuita coisa para fazer. O professor marcou no tablet:

Na segunda-feira, ler um livro em pijama;

Na terça-feira, ler um livro a tomar chocolate quente;

Na quarta-feira, ler um livro a comer bolachinhas de gengibre;

Na quinta-feira, ler um livro debaixo da árvore de Natal; 

[…]

Então… e na sexta-feira?

Na sexta-feira, ler um livro, em pijama, debaixo da árvore de Natal, a comer bolachinhas de gengibre e a tomar chocolate quente!

 

Agora que já sabe ler em norueguês, inglês e português (não me perguntem como aprendeu com um ano e uns meses a frequentar uma Escola Internacional, em Fredrikstad, Noruega), aproveito o tempo livre de domingo para organizar as estantes de modo a facilitar os [nossos] tempos do livro. Preciso de colocar nas estantes mais baixas, no quarto deles, os livros que possam interessar-lhe a ele e ao irmão que, para já, só lê o que o imaginário lhe soletra ao ouvido. Sabe fazê-lo em todas as línguas do mundo, o Tomás, que ainda não anda na escola. E que feliz ele fica quando lho digo!

 

Lídia Borges