Ao domingo há mais tempo livre – continuamos a dizer, mesmo
que o tempo livre queira dizer, mais que tempo vago, tempo de maior
disponibilidade mental, sobretudo, para fazer aquilo que se vai adiando até não
se poder adiar mais.
Daqui por uns dias, o tempo livre, cá em casa, vai de férias. Nesta época
natalícia, quando regressam, por um curto período de tempo, os que estão longe, a casa enche-se de vozes, risos e correrias. Só há tempo para viver a família, aproveitar, sentir a evolução das crianças que, embora se ouçam ao longe, só quando estão perto são verdadeiramente reais, e, tocáveis seus abraços e beijos, suas brincadeiras, alegrias e traquinices.
E por falar em conversas ao longe:
Vídeo chamada -
(Noruega | Portugal )
Está quase a
chegar o Natal, Matias. Daqui a pouquinho, já tens de fazer a mala.
Pois é, mas… ainda tenho muito trabalho à minha
espera…
Ai, sim? Conta
lá, então.
Muuuita,
muuuita coisa para fazer. O professor marcou no tablet:
Na segunda-feira, ler um livro em pijama;
Na terça-feira,
ler um livro a tomar chocolate quente;
Na
quarta-feira, ler um livro a comer bolachinhas de gengibre;
Na quinta-feira, ler um livro debaixo da árvore de Natal;
[…]
Então… e na sexta-feira?
Na sexta-feira,
ler um livro, em pijama, debaixo da árvore de Natal, a comer bolachinhas de
gengibre e a tomar chocolate quente!
Agora que já
sabe ler em norueguês, inglês e português (não me perguntem como aprendeu com
um ano e uns meses a frequentar uma Escola Internacional, em Fredrikstad, Noruega),
aproveito o tempo livre de domingo para organizar as estantes de modo a facilitar os [nossos] tempos do
livro. Preciso de colocar nas estantes mais baixas, no quarto deles, os livros que
possam interessar-lhe a ele e ao irmão que, para já, só lê o que o imaginário lhe soletra ao ouvido. Sabe fazê-lo em todas as línguas do mundo, o
Tomás, que ainda não anda na escola. E que feliz ele fica quando lho digo!
Lídia Borges
