
Primeiro era a minha avó quem contava as histórias.
Eram mágicas, as histórias da minha avó. Falavam de pássaros, de árvores, de anões e gigantes, dos gatos que dormiam nos telhados e dos outros, também.
Às vezes, falavam de meninos mal comportados (mas isso era por causa das diabruras do meu irmão que eu bem sabia).
Um dia, a minha avó precisou de morrer porque já estava muito cansada. Eu fiquei muito, muito triste. Então o meu pai disse-me que tínhamos de continuar a dar atenção às flores e às borboletas, às árvores e às estrelas…
Tínhamos de continuar a inventar nomes às coisas que ainda não tinham nome para que não ficassem, assim, desconhecidas para sempre. Disse-me que havia um lugar onde a felicidade se escondia quando os dias eram feios e tristes e explicou-me que tínhamos de descobrir esse lugar antes que a tristeza ganhasse raiz nos nossos dias. Depois contou-me que, se quiséssemos, podíamos fazer com que as coisas que desejamos aconteçam no nosso pensamento e depois de acontecidas, podíamos guardá-las no coração para sempre.
- Mas no coração - avisou - só podem ser guardadas coisas muito especiais.
Perguntei-lhe se podia ser o jardim do Campo Novo onde eu brincava ou os gatinhos que tinham acabado de nascer. Ele sorriu e disse-me que podia ser a Amizade, o Amor, a Honestidade, a Generosidade e outras coisas assim que nem se veem nem se lhes pode tocar.
Fiquei muito admirada. Eu a pensar que as coisas mais bonitas eram coisas “a sério” e o meu pai a falar-me de coisas tão difíceis de perceber que só nascem se nos puserem uma sementinha no peito quando somos pequeninos e só crescem se as soubermos dar aos outros. - Foi o que disse o meu pai. E ele sabia sempre tudo.
Contava história tão bonitas como as da minha avó e ensinou-me a procurá-las olhando com atenção para todas as coisas e todos os lugares porque elas, as histórias, estão em qualquer lado e gostam muito de ser encontradas.
Quando o meu pai precisou de morrer, eu andei à procura da felicidade entre as coisas mais bonitas do mundo e acabei por encontrar os poemas e as histórias e descobri que os poemas e as histórias, às vezes, também são sementes de coisas belas, aquelas coisas que se podem guardar no coração para sempre.
Eram mágicas, as histórias da minha avó. Falavam de pássaros, de árvores, de anões e gigantes, dos gatos que dormiam nos telhados e dos outros, também.
Às vezes, falavam de meninos mal comportados (mas isso era por causa das diabruras do meu irmão que eu bem sabia).
Um dia, a minha avó precisou de morrer porque já estava muito cansada. Eu fiquei muito, muito triste. Então o meu pai disse-me que tínhamos de continuar a dar atenção às flores e às borboletas, às árvores e às estrelas…
Tínhamos de continuar a inventar nomes às coisas que ainda não tinham nome para que não ficassem, assim, desconhecidas para sempre. Disse-me que havia um lugar onde a felicidade se escondia quando os dias eram feios e tristes e explicou-me que tínhamos de descobrir esse lugar antes que a tristeza ganhasse raiz nos nossos dias. Depois contou-me que, se quiséssemos, podíamos fazer com que as coisas que desejamos aconteçam no nosso pensamento e depois de acontecidas, podíamos guardá-las no coração para sempre.
- Mas no coração - avisou - só podem ser guardadas coisas muito especiais.
Perguntei-lhe se podia ser o jardim do Campo Novo onde eu brincava ou os gatinhos que tinham acabado de nascer. Ele sorriu e disse-me que podia ser a Amizade, o Amor, a Honestidade, a Generosidade e outras coisas assim que nem se veem nem se lhes pode tocar.
Fiquei muito admirada. Eu a pensar que as coisas mais bonitas eram coisas “a sério” e o meu pai a falar-me de coisas tão difíceis de perceber que só nascem se nos puserem uma sementinha no peito quando somos pequeninos e só crescem se as soubermos dar aos outros. - Foi o que disse o meu pai. E ele sabia sempre tudo.
Contava história tão bonitas como as da minha avó e ensinou-me a procurá-las olhando com atenção para todas as coisas e todos os lugares porque elas, as histórias, estão em qualquer lado e gostam muito de ser encontradas.
Quando o meu pai precisou de morrer, eu andei à procura da felicidade entre as coisas mais bonitas do mundo e acabei por encontrar os poemas e as histórias e descobri que os poemas e as histórias, às vezes, também são sementes de coisas belas, aquelas coisas que se podem guardar no coração para sempre.
Lídia Borges (reeditado)