Prefiro o que hospeda o
silêncio
ao que arremessa a peçonha da voz
e esconde o gesto.
Prefiro o tinir das
camélias sob a chuva
ao abraço do amigo simulado.
Prefiro seres que não
falam.
Palavras há como línguas
bifurcadas,
facas de dois gumes
gumes de mil facas,
estremecimento, berro, trovão,
reinvenção do medo,
pregão:
Compre quem quer
comprar
Coma quem quer comer
repudie quem pode
repudiar.
Escolha, pode sempre escolher.
Estamos na idade do ferro da palavra.
Martele, martele, martele
o ferro quente.
Lídia Borges
