Um raminho de
sol preso ao canto da janela
Uma folha
irradiando o verde
Uma abelha, o
mel, a flor
Altos relevos,
ponto cheio. Cheiro, cor.
Toalha de linho
bordada com fios ténuos de luz
E pássaros em
trovas antigas
Entoadas a
ponto de cruz.
A manhã, um
desejo em flor, um violino, uma flauta
Assim
Como se nas
pétalas de um prelúdio
Não se pudesse
respirar um assopro de fim.
Como se não
crescessem
As portas
fechadas a meio dos corredores
Como se dos
muros não sobrasse a sombra
Ressurgida de
velhos e podres bolores.
Um violino, um
desejo, uma flauta
E a aragem de
abril a esvoaçar
Nas linhas
de consertar disforias de uma pauta.
Lídia Borges (reeditado)
imagem: Eduardo Lima
