domingo, 20 de setembro de 2026

Setembro és tu



Setembro és tu.

A nostalgia amena de um entardecer,

uma dor indiscreta que cresce,

entre a paisagem e o coração,

o mistério alvo de uma vela

a tanger o horizonte,

 

uma estrada de prata no mar,

um rebanho de estrelas

pastando na aridez quase alegre 

da noite.

 

Tu és setembro.

A luz filtrada nos braços vazios

de uma despedida, agora.

Um alvorecer de ecos amarelecido

como fotografias antigas.

 

II

Tu és enigma e revelação

Despedes-te em cada silêncio

sem saberes de quê,

de quem te despedes.

E trauteias incompreensíveis cantos

como se acabado de chegar.

 

São tuas paisagens

a dor e o deslumbramento.

Um tempo esgotado que partiu,

deixando a porta trancada

e, dentro, todas as luzes acesas.

 

Lídia Borges (20/09/2026)