I
Setembro és tu.
A nostalgia amena de um
entardecer,
uma dor indiscreta que cresce,
entre a paisagem e o coração,
o mistério alvo de uma
vela
a tanger o horizonte,
uma estrada de prata no
mar,
um rebanho de estrelas
pastando na aridez quase alegre
da noite.
Tu és setembro.
A luz filtrada nos
braços vazios
de uma despedida, agora.
Um alvorecer de ecos amarelecido
como fotografias antigas.
Tu és enigma e
revelação
Despedes-te em cada
silêncio
sem saberes de quê,
de quem te despedes.
E trauteias incompreensíveis cantos
como se acabado de
chegar.
São tuas paisagens
a dor e o deslumbramento.
Um tempo esgotado que partiu,
deixando a porta
trancada
e, dentro, todas as luzes acesas.
Lídia Borges (20/09/2026)
