dies irae
in “A inaudita guerra da Avenida Gago Coutinho”
Mário de Carvalho
Repousas no absurdo das imagens criadas,
não alucinações, imagens
por onde passeias e te recrias, imperturbável.
Exploras movimentos, signos, sentidos,
Hesitas, aqui e ali, entre seguir em
frente,
parar, voltar atrás.
O absurdo é ou não
hoje e agora? Aqui.
Se ao abrires a porta
de tua casa,
só um céu azul e
algumas aves brancas subsistirem
no espaço sideral, surreal da tua sala,
regressa à cervejaria.
Os dois anjos sentados
na máquina de flippers
continuarão a alimentar
intrigas muito angelicais
e tu a escutá-las como se céus azuis e anjos desleixados
fossem fiáveis.
Há dias assim, em que o
insólito e o normal
inesperadamente
batem certo.
Lídia Borges (2026)
(imagem: pinterest)
