domingo, 26 de fevereiro de 2012

Correntes d'Escritas

Estive nas Correntes d’Escritas  num só dos três dias, ontem, mas chegou para poder dizer que respirar o ar fresco que se vive neste encontro de escritores, livros e ideias me faz bem.
Apesar da contenção de despesas imposta por ela, pela crise, o evento na sua 13.ª edição, ainda pôde contar com quase 60 participantes, uma boa parte dos quais escritores destacados.
A mesa a que pude assistir juntou Luís Sepúlveda, Eugénio Lisboa, Gonçalo M. Tavares, João de Melo, Onésimo Teotónio e Helena Vasconcelos em torno de um tema que, na maioria das intervenções, tomou o caminho da sátira e da ironia provocando explosões de risos na audiência deleitada que enchia por completo o auditório. O caso não era para menos. Atentem no tema, ajustem-no à atualidade e vejam se não se presta a interpretações no mínimo burlescas: As ideias são fundos que nunca darão juros nas mãos dos talentos, (Antoine de Rivarol). Contabilidade e Cultura... Uma delícia!

É já do domínio público que o Prémio deste ano foi atribuído ao brasileiro (filho de portugueses) Rubem Fonseca, o autor que nunca “aparece”, o autor “(in)visível” que brindou a Póvoa de Varzim, vejam só, com a sua presença. O escritor, com 86 anos, foi sempre adverso a aparições públicas. - “Ele sempre disse que o que interessa num escritor é a sua obra, não a sua vida, um escritor deve ver, não ser visto” – diz-nos a filha mais velha, falando do pai ao JL, ( 22 de fevereiro a 6 de Março, 2012).
Não sou grande apreciadora do género policial e, talvez por isso, até hoje não tenha lido quase nada do autor de A Grande Arte, cuja obra é considerada pela crítica como cinematográfica “de uma fluência e de um rigor inultrapassáveis”. (idem)
Faço uso das palavras de Inês Pedrosa no jornal já citado para justificar a compra apressada de um dos seus livros: Bufo &Spallanzani, (2011).
Diz-nos a escritora/ensaísta, ou ensaísta/escritora, não sei bem:
“Um escritor serve para dizer o que ainda não foi dito” [...] “O universo de Rubem Fonseca é o do erotismo e da morte – os seus dois fantasmas maiores. Aquilo que os livros dizem de um modo só dele é que o ser humano não aprendeu ainda a fazer do desejo que o distingue a obra de arte que pode ser”.
Vou ler. Afinal, trata-se de alguém que recebeu o Prémio Camões (2003). Se os prémios valem muito? Não sei. Nunca ganhei nenhum, (bem, ganhei um pequenino), quando ganhar, quero que me seja pago em "talentos".

9 comentários:

AC disse...

Novas dos ventos, com ou sem talentos. :)
Obrigado, Lídia.

Bj

Isabel disse...

Deve ter sido bem interessante.
De Rubem Fonseca li "Pequenas Criaturas" e sei que tenho por aí mais algum livro, mas nem sei qual.
Mas de momento não vou ler, porque tenho outros à frente.

Um abraço

Rosa dos Ventos disse...

Obrigada pelo registo, incluindo o musical! :-))
Um elenco de luxo!

Abraço

Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Minha querida

deve ter sido maravilhoso esse encontro com tantos poetas de renome.
Um banho de poesia.

Um beijinho com carinho
Sonhadora

carla disse...

O que eu escrevo não é nada de interessante comparado com os excelentes escritores que por aqui andam e leio. Parabéns ! para si e para quem sabe escrever assim tao bem. Uma boa semana

Carla Granja

Mª João C.Martins disse...

Com muita pena minha, este ano não me foi possível respirar esse magnífico ambiente que emana de escritores e poetas nas Correntes d'Escritas. Por isso, este teu apontamento, vem serenar um pouco esta vontade que sinto que a 14ª edição aconteça. Para além de toda a contenção imposta, este evento será sempre muito especial para quem gosta da partilha pela palavra.

Obrigada, Lídia!
Um beijinho

Fernanda Ferreira - Ná disse...

Muitos desses autores não conheço, lamento, mas adorei saber do Evento.
Obrigada

Beijo

Branca disse...

Obrigada Lídia.
Gostei muito de ler este teu apontamento sobre tema tão interessante e foi bom partilhares connosco do tanto que trouxeste de lá.

Beijinhos
Branca

Rogério G.V. Pereira disse...

Apetece-me dizer, como a raposa disse das uvas "Estão verdes"... Desdenho, relembrando o provérbio: "quem desdenha quer comprar"... Não podendo estar, desdenho dizendo: como é possível, com o mundo à beira do naufrágio os poetas e escritores se divertirem à volta da sua própria obra?... Desdenho, com pena de não estar presente. O pensamento é assim o desabafo de um invejoso... ou talvez não... (na minha homilia fui mais objectivo)