Lê-me – disse ele,
o Ano,
em jeito de último desejo.
Não me leves a mal
hei de ler-te noutro dia,
ortografia
de um já velho jornal.
Outro dia,
quiçá amanhã.
Uma chuva de sorrisos
veio, sem aviso,
tomar-me toda a manhã.
À tarde, era tarde.
E a noite
arde.
Lídia Borges, (reeditado)
(imagem:Vladimir Kush)
