segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Sem tempo para o Tempo



Lê-me – disse ele, 
o Ano,
em jeito de último desejo.

Não me leves a mal
hei de ler-te noutro dia,
ortografia 
de um já velho jornal.
Outro dia,
quiçá amanhã.

Uma chuva de sorrisos 
veio, sem aviso, 
tomar-me toda a manhã.

À tarde, era tarde.


E a noite 
arde.







Lídia Borges, (reeditado)





(imagem:Vladimir Kush)