O amor não é o meu tema,
definitivamente.
Que não o amor
este nó na garganta do mundo,
apertado,
como se abraço infecundo,
indesejado
Meu tema é o som cavo
do canto da cotovia
no curto espaço de um
verso
que a si próprio se cumpria.
que a si próprio se cumpria.
A rua é o meu tema.
A imperfeita harmonia
que se abeira dos canteiros,
do silêncio dos pinheiros,
das tulipas e das frésias
trespassadas de janeiros.
Por cada grão de alegria
que ao canto vai faltando,
sem o rubor das cerejas,
o alarido das maçãs,
e a doce melancolia,
ao sol de outras manhãs,
esmorece a cotovia.
Meu tema é este torpor
feito de neve e de lonjura
que vai enchendo os dias
de [des]humanas mãos vazias.
Mãos de ferro, mãos de
nada,
ausentes da luz, do calor...
mãos que ferem e que lutam,
férteis que baste na
guerra,
áridas, só no amor.
(imagem: Google s/ ind, autoria)
