E querem os homens ser embalados
com palavras de serventia
querem ser levados ao topo
de uma pobre idiotia.
Só pedem p’ra ser levados
ao colo ou pela mão
que os guiem, que os conduzam
ao céu de uma ilusão
que por si só eles não vão.
A vontade os braços os pés
têm asas de papelão.
Querem ser levados, não vão.
E vão, rebanhos alados,
aos prados da fantasia
ruminar amargo brado
doce que ao longe parecia.
Às fontes que vão secando
sem que seus corpos se agitem
pedem água, pedem vida
e de pedir se vão bastando
as mãos ao nada estendidas.
Estreito, tal sonho malfadado.
O diabo que os carregue
daqui para outro lado.
(imagem: Google s/. ind. autoria)
