Odiei
o que era fácil.
Procurei-me
na luz, no mar, no vento
Sophia
E
agora ó Deuses que vos direi de mim?
Tardes
inertes morrem no jardim.
Esqueci-me
de vós e sem memória
Caminho
nos caminhos onde o tempo
Como
um monstro a si próprio se devora.
Sophia de Mello Breyner Andresen
(1954), No tempo dividido in Obra Poética (2010: pág.292), Edição de
Carlos Mendes de Sousa.
Que direi eu dessa consciência
amarga da ausência dos Deuses. Eles que haviam nascido da Natureza, como
frutos, e a sua imagem era o êxtase manifestado no azul do mar, no branco da espuma,
na luz branda dos jardins ao entardecer, no verde carregado das florestas. Que direi eu desse afastamento que nos adoece a memória, que nos ofusca a própria identidade.
A ausência dos Deuses, mais uma obra dos homens.
Lídia Borges
(Foto: incluída na fotobiografia: Sophia de Mello Breyner Andersen / Uma vida de Poeta)
