(Bom Jesus -Braga, Foto s/ ind. autoria)
Impossível decifrar
a topografia do fundo dos olhos.
Havia um barco a passar
por dentro da memória, julgo eu,
um barco de cristal
a crescer amplamente
para a cintilação das vagas.
Era uma miragem de rios. Incontornável.
Puro olvido.
Os dias vibram, agora
em sua redondez estonteante
de verdes opulentos
e líquidas constelações.
Cantam
em todas as árvores,
em todos os cantos,
em todas as bermas e veredas.
em todas as bermas e veredas.
Cantam.
As mãos quentes do sol,
o coração limpo,
quase alegre, a entornar
a palavra que por aí vem.
Leve, a florejar
como se do mundo
houvesse habitado apenas
histórias de crianças.
Sei que no inverno dos trigais,
anoitecidos os pássaros,
há de vir vestida de cinza e neve, a palavra.
Virá fustigar de punhais, outras liras,
outras horas,
que não estas.
que não estas.
Nunca estas!
Lídia Borges
