Vladimir Volegov
Tanto sobre o que escrever
Tanta luz tanto saber
Tanta terra de ninguém
Tanto cristão sem terra
Tanta fome, tanta guerra.
Mas a pena não corre a mando
só vai aonde bem entende
indiferente à intenção.
E corre àquela janela
a ver o que é feito dela,
da que, em contra-mão,
roubou a Poesia
e trancou-a no coração.
Tanta luz tanto saber
Tanta terra de ninguém
Tanto cristão sem terra
Tanta fome, tanta guerra.
Mas a pena não corre a mando
só vai aonde bem entende
indiferente à intenção.
E corre àquela janela
a ver o que é feito dela,
da que, em contra-mão,
roubou a Poesia
e trancou-a no coração.
Tanta fome tanta guerra
Tanto sobre o que escrever
Tanta luz tanto saber...
É sim é não
É sim é não
É sol é chuva
É fogo é água é trovão
É falsa é santa é meretriz
É tudo o que se diz e não diz.
É fogo é água é trovão
É falsa é santa é meretriz
É tudo o que se diz e não diz.
Mas se serve ao poema
o que importa, afinal,
o que importa, afinal,
se é o Bem ou se é
o Mal?
Tanta luz tanto saber
Tanta terra de ninguém
Tanta fome tanta guerra
Tanto sobre o que escrever
Tanta luz tanto saber
Tanta terra de ninguém
Tanta fome tanta guerra
Tanto sobre o que escrever
E vai-se a ver:
uma janela fechada
é a Poesia toda
ante uma cisma
"abensonhada".
ante uma cisma
"abensonhada".
