Há
quem leve a vida
a
construir pontes
sem nunca alcançar
a
travessia,
quem
não encontre
do
outro lado
pilares que as suportem,
há
quem caminhe sobre as águas,
quem
se movimente,
em pleno à-vontade, pelo ar,
há quem sonhe em voz alta,
há quem sonhe em voz alta,
há
quem chore,
há
quem ria…
Há
fabricantes de grades,
cantando, extasiados, a liberdade
Há quem, em alheamento,
não distinga o Bem do Mal..
Só
eu que choro e rio
tantas
vezes em simultâneo,
só
eu que amo a liberdade
apertando grades entre as mãos,
só eu que trago em meu espírito,
só eu que trago em meu espírito,
sempre
pintada de fresco,
a
fronteira
entre
o ser e o dever ser…
Só
eu…
obviamente... só!
Com os outros,
como eu,
obviamente
sós!
Lídia
Borges
