domingo, 19 de julho de 2020

Solidão


Há quem leve a vida
a construir pontes
sem nunca alcançar
a travessia,
quem não encontre
do outro lado
pilares que as suportem,

há quem caminhe sobre as águas,
quem se movimente,
em pleno à-vontade, pelo ar,
há quem sonhe em voz alta,
há quem chore,
há quem ria…

Há fabricantes de grades,
cantando, extasiados, a liberdade
Há quem, em alheamento,
não distinga o Bem do Mal..

Só eu que choro e rio
tantas vezes em simultâneo,
só eu que amo a liberdade
apertando grades entre as mãos,
só eu que trago em meu espírito,
sempre pintada de fresco,
a fronteira
entre o ser e o dever ser…

Só eu…

obviamente... só!
Com os outros,
como eu,
obviamente sós!


Lídia Borges