Uma maré de brumas
nos teus olhos,
um solitário
sonhando a flor há dias,
vazio e mudo, em cima da cómoda,
uma embarcação de velas rasgadas...
Nem as aves nem as miragens
fazem ninhos em seus ventos.
É neste borbulhar lento
de limos e lonjuras
que se inaugura o poema
tão errante como os latejos
do teu coração
defesso.
Fecham-se-te os olhos
ao peso leve da luz.
Ardentes.
Amanhã, cortarás uma rosa
junto à cerca.
Ficará menos só
o solitário.
Lídia Borges
