sábado, 25 de julho de 2020

Uma maré de brumas




Uma maré de brumas 
nos teus olhos,
um solitário
sonhando a flor há dias,
vazio e mudo, em cima da cómoda,
uma embarcação de velas rasgadas... 
Nem as aves nem as miragens
fazem ninhos em seus ventos.

É neste borbulhar lento
de limos e lonjuras
que se inaugura o poema
tão errante como os latejos
do teu coração
defesso.

Fecham-se-te os olhos
ao peso leve da luz.
Ardentes.

Amanhã, cortarás uma rosa
junto à cerca.
Ficará menos só
o solitário.





Lídia Borges