domingo, 13 de março de 2022

Winnie-the-Pooh

 

“O bom caminho não é uma procura, mas o encontro com o inesperado” – Lao Tse

“Perder-se também é caminho.” – Clarice Lispector

“Perder-se é o caminho.” – Manuel António Pina

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E quando tudo corria como o que estava previsto no plano, sem incidentes, enganos, variações, ele (Manuel António Pina) costumava dizer, no final, como o ursinho Puff: “Pelo menos não choveu, já foi uma enorme proeza.”

(Em: Para quê tudo isto? Biografia de Manuel António Pina.)

 

Estou sempre a ver se evito enganar-me, desviar-me dos percursos previstos, seguir por trilhos desconhecidos, perder-me. Cansei das versões modernas da palavra - liberdade.  Ainda assim, por vezes, acontece perder-me inesperadamente nas estantes que existem cá por casa, para os mais novos. Leio como só um adulto pode ler, naturalmente, e perco-me por trilhos secundários, lugares, esconderijos, abrigos, paisagens, caminhos abertos ao Maravilhoso, longe das largas autoestradas, dos trajetos pré-concebidos para o pensamento único.

O tempo, este domingo, passou depressa de mais. Não ficou delineado o plano para a próxima sessão, nas escolas? 

Digo comigo, como diria o "Senhor Pina": "Nem imaginam o que me aconteceu..."

 Chovia que Deus a dava...

 

Lídia Borges