Nunca mais a cor dos girassóis
enlaçou um corpo trémulo e só
a vaguear pela sombra do Sonho,
o Sol, estrela que é,
recusa desobscurecer
o chão lapidoso debaixo dos pés.
A cor dos girassóis [é sabido]
entra nos espaços vagos da palavra
e produz oblíquas fantasias
Quando não encontra
outras como ela, a palavra
rasga ferimentos no Sonho
Poderia ser eu a lavá-lo
a vesti-lo, a alimentá-lo,
a perguntar-lhe: estás melhor?
Poderia ser eu a sonhá-lo.
