quinta-feira, 7 de abril de 2022

Nunca mais a cor dos girassóis

 


Nunca mais a cor dos girassóis

enlaçou um corpo trémulo e só

a vaguear pela sombra do Sonho,

 

o Sol, estrela que é,

recusa desobscurecer

o chão lapidoso debaixo dos pés.

 

A cor dos girassóis [é sabido]

entra nos espaços vagos da palavra

e produz oblíquas fantasias

 

Quando não encontra

outras como ela, a palavra

rasga ferimentos no Sonho

 

Poderia ser eu a lavá-lo

a vesti-lo, a alimentá-lo,

a perguntar-lhe: estás melhor?

 

Poderia ser eu a sonhá-lo.