(Anne Packard)
Não sei se puderam ler
meu poema de ontem,
se por momentos se
tornou visível
desse lado dos vidros em espelho
que fazem seus, os meus poemas.
Não sei. Demasiado fina,
talvez
a grafia do silêncio,
entre as mãos de ontem.
Deve ter-se quebrado a sintonia emoção/palavra
num vislumbre de água ou de inocência.
Quisesse restaurá-lo hoje
e teria de derrubar
as sólidas paredes do tempo
que fazem das idades, eras.
Vendo melhor: por outro lado,
os repetimentos que sou
são a permanência de mim em mim,
a leste de tempos e idades.
Lídia Borges
