terça-feira, 12 de julho de 2022

Para onde vão os poemas gastos?

 


(Anne Packard)


Não sei se puderam ler

meu poema de ontem,

se por momentos se tornou visível

desse lado dos vidros em espelho

que fazem seus, os meus poemas.

 

Não sei. Demasiado fina, talvez

a grafia do silêncio, entre as mãos de ontem.

Deve ter-se quebrado a sintonia emoção/palavra

num vislumbre de água ou de inocência. 

 

Quisesse restaurá-lo hoje

e teria de derrubar

as sólidas paredes do tempo

que fazem das idades, eras.

 

Vendo melhor: por outro lado,

os repetimentos que sou 

são a permanência de mim em mim, 

a leste de tempos e idades.



 

Lídia Borges