(Pinterest, s/ inc. autoria)
O homem que
dizem na minha rua
ter ligeira
disfunção mental
disse-me hoje
de manhã «bom dia»,
com um sorriso
rasgado de malmequer,
ou de papoila
fresca, ou plátano fresco
(ou qualquer
coisa bela do mundo vegetal)
E, como eu
comentava sobre o dia
(azul de
primavera), acrescentou:
«Deus é assim.
É pródigo,»
ah! infinito
tudo, admirável mundo
que, enfim,
de lado a lado
se ilumina:
de som, de fino
pólen, de tão puro
neurónio
em disjunção
divina
Ana Luísa Amaral (2022:p.245), O Olhar Diagonal das Coisas.
