sábado, 3 de setembro de 2022

"As disjunções perfeitas"

 (Pinterest, s/ inc. autoria)

O homem que dizem na minha rua

ter ligeira disfunção mental

disse-me hoje de manhã «bom dia»,

com um sorriso rasgado de malmequer,

ou de papoila fresca, ou plátano fresco

(ou qualquer coisa bela do mundo vegetal)

 

E, como eu comentava sobre o dia

(azul de primavera), acrescentou:

«Deus é assim. É pródigo,»

 

ah! infinito tudo, admirável mundo

que, enfim,

de lado a lado se ilumina:

de som, de fino pólen, de tão puro

neurónio

em disjunção divina


Ana Luísa Amaral (2022:p.245), O Olhar Diagonal das Coisas.