Ao desvalido,
dás-lhe um lugar no teu coração, nos teus olhos
ou rezas por ele uma oração?
Lídia Borges
Acabarei de me refazer, em tempo útil?
Gosto é de andar descalça na escuridão. Perco-me
entre palavras que me puxam para dentro de si,
com mãos transparentes.
O meu coração perde vivacidade
e fico diante da mente lisa
que trago de uma cidade antiga, muito longe daqui.
Entretanto todos os sentidos tocam o silêncio.
Eu não tenho medo do escuro.
Ele já me contou tudo sobre o vazio em si.
Acabarei de me refazer, em tempo útil?
Se for para ver melhor, antes enlouquecer sem demora.
Eu não tenho medo do escuro, mas a manhã…
já ali vem com um novo enigma para cravar à entrada
do meu aconchego pessoal a pedir reparação.
Lídia Borges
