segunda-feira, 12 de junho de 2023

Pintura

 

Teu vulto, ao fundo na paisagem  

da minha última tela, desapareceu,

mas o teu nome não deixou de ser

a cintura de luz à esquerda, no rio, 

que me prende o olhar, quando cai a tarde

 

Que importa a melancolia dos traços

o tom alambre na solidão pendente do cais.

Nem tudo se dilui na sombra da tarde

quando vens reparar em mim.

 

É verão outra vez nos teus olhos.

Na paleta sobram-me a mim os tons cinza

do desencontro.

Talvez queiras saber como crio

as tonalidades de maresia que ponho nos barcos ao luar,

 ainda que a lua... 

Onde a lua? - Haverás de perguntar.


Lídia Borges