Teu vulto, ao fundo na
paisagem
da minha última
tela, desapareceu,
mas o teu nome não
deixou de ser
a cintura de luz à esquerda, no rio,
que me prende o olhar, quando
cai a tarde
Que importa a melancolia
dos traços
o tom alambre na solidão pendente do cais.
Nem tudo se dilui na
sombra da tarde
quando vens reparar em
mim.
É verão outra vez nos
teus olhos.
Na paleta sobram-me a mim os tons cinza
do desencontro.
Talvez queiras saber como crio
as tonalidades de maresia
que ponho nos barcos ao luar,
ainda que a lua...
Onde a lua? - Haverás de perguntar.
Lídia Borges
