Às portas de
setembro,
como se amanhã pudesse ser um tempo outro
só porque a luz
se debruça, diagonal,
no interior das sensações,
a poesia refugia-se
num recanto da memória,
afasta-se deste chão pejado de lodo e mato,
deste ar,
onde gravitam luzes e vozes em articulada gritaria,
da veloz movimentação das horas
a galgar o mapa
das ilhas perdidas.
Porém, a poesia regressa.
Abeira-se pelo lado do coração,
(é sempre pelo lado do coração que vem)
invade os
pulmões,
cresce paralela
ao fluxo do oxigénio,
humedece os
olhos,
restabelece a áurea
luz das imagens,
como se hoje… setembro, outra vez!
Lídia Borges
(imagem:Pinterest)
