quinta-feira, 31 de agosto de 2023

Oxigénio

 


Às portas de setembro,

como se amanhã pudesse ser um tempo outro

só porque a luz se debruça, diagonal,

no interior das sensações,

a poesia refugia-se num recanto da memória,

 

afasta-se deste chão pejado de lodo e mato,

deste ar,

onde gravitam luzes e vozes em articulada gritaria,

da veloz movimentação das horas

a galgar o mapa das ilhas perdidas.

 

Porém, a poesia regressa. 

Abeira-se pelo lado do coração,

(é sempre pelo lado do coração que vem)

invade os pulmões,

cresce paralela ao fluxo do oxigénio,

humedece os olhos,

restabelece a áurea luz das imagens,


como se hoje… setembro, outra vez!

 

Lídia Borges 

(imagem:Pinterest)