terça-feira, 15 de agosto de 2023

Tempo

 


O Tempo é mestre.

Com ele aprendi a não me violentar

com ordens e desordens pré-estabelecidas. 

Aprendi a aceitar, das palavras e dos silêncios, tempos e espaços.


Com o Tempo

descobri que é possível habitar

lugares vazios, sombrios, sem que o nada e a sombra

criem raízes na rota da respiração, 

se quedem no corpo e na alma

sem que corpo e alma desaprendam, do sol, o sentido, o paradeiro e o esplendor.

 

Com o Tempo aprendi a dar tempo

à tristeza, à mágoa, ao espanto, à alegria.


Aprendi a menosprezar os altifalantes

as vozes atrás das vozes, 

o dizer abstrato, vanguardismos

de todos os tempos

úteis.

Néon, vaidade, reverência. Álcool.


Aprendi a cultivar astros e regatos, 

árvores, pássaros e pedras

a viver destas palavras pobres e nuas,

 

como eu

infinitamente frágeis e mortais.

 

Lídia Borges