Então, havia
que separar
as palavras das
palavrinhas,
dar-lhes destinos
de trigo e joio.
As primeiras,
sem ortografia conhecida,
assombro apenas,
halo de luz
alheada e doce
no longe que não se vê.
As segundas
rompiam da terra,
do labor das
mãos no campo dos signos.
Searas de
paciência e luta,
a cesura dos
nomes sem o sangue
da foice cega.
Do diálogo, tantas vezes absurdo,
de sobejos e observações,
aqui e ali, inteligível,
o espanto brotava.
Lídia Borges
(Foto: as minhas mãos, apanhadas pela câmara do fotógrafo Carlos Teixeira, numa entrevista dada a Patrícia Ferreira.)
