Desde manhãzinha que um casal de melros protesta veementemente, lá fora, no jardim. Não param, não se calam. Há protesto persistentes no seu gorjeio aflautado. Posso entender - a crise da habitação também os atingiu. A magnólia que, na primavera passada, lhes fora morada e recreio, este ano, é um emaranhado de troncos que, como mãos, prometem bom suporte e segurança máxima para os ninhos, mas a folhagem rara não garante a privacidade pretendida. Acabarão por procurar um lugar mais propício, os noivos apressados. O prejuízo é todo meu que me habituei a acordar com o restolhar de asas e melodiosos cantos, a rondarem a varanda do quarto, quando a primavera vem.
Lídia Borges
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