quinta-feira, 10 de abril de 2025

Casa

 




Desde manhãzinha que um casal de melros protesta veementemente, lá fora, no jardim. Não param, não se calam. Há protesto persistentes no seu gorjeio aflautado. Posso entender - a crise da habitação também os atingiu. A magnólia que, na primavera passada, lhes fora morada e recreio, este ano, é um emaranhado de troncos que, como mãos, prometem bom suporte e segurança máxima para os ninhos, mas a folhagem rara não garante a privacidade pretendida. Acabarão por procurar um lugar mais propício, os noivos apressados. O prejuízo é todo meu que me habituei a acordar com o restolhar de asas  e melodiosos cantos, a rondarem a varanda do quarto, quando a primavera vem.


Lídia Borges