domingo, 13 de abril de 2025

Internamento

 

Submersa no espanto de ainda estar viva, pergunto: Ainda bate? Referia-me ao coração. Nos últimos meses, só pensava nele, dia a dia, a agonizar dentro do peito.

Sim, ainda bate – respondeu o cirurgião, sorrindo. Do nada, os meus braços fizeram-se inopinado abraço e logo retraimento. Foi-me devolvido o gesto, em sinal de compreensão. Afinal eu acabara de passar por uma experiência de morte e revivescência e o meu abraço era todo feito de gratidão.


Lídia Borges