Submersa no
espanto de ainda estar viva, pergunto: Ainda bate? Referia-me ao coração. Nos
últimos meses, só pensava nele, dia a dia, a agonizar dentro do peito.
Sim, ainda bate
– respondeu o cirurgião, sorrindo. Do nada, os meus braços fizeram-se inopinado abraço
e logo retraimento. Foi-me devolvido o gesto, em sinal de compreensão. Afinal eu
acabara de passar por uma experiência de morte e revivescência e o meu abraço
era todo feito de gratidão.
Lídia Borges
