Gostava de ver
passar alguém no caminho
junto àquela porta sempre aberta de ontem.
Um camponês, a enxada ao ombro,
no regresso a casa, ao fim da tarde
como se, paulatinamente,
atravessasse um poema de Fiama.
Tudo assim
certo, antiquíssimo, pacato.
O gato enrolado na soleira da porta
cheio de eternidade,
as escadas de pedra, os gerânios ardendo.
Um camponês,
calça arregaçada, pés descalços,
a enxada ao ombro.
Ao fundo, o sol definhando entre laranjas
e ocres ensanguentados.
Que é feito da
tela onde
se perderam tantas vezes
meus olhos indiscretos de criança?
(Imagem: Pinterest)
