O dia desce maduro até ao mar.
Colho a serenidade nos livros, outros céus
se reúnem para preparar
a paz da noite.
Já não há estrelas como as da minha infância – dizes.
Há luzes artificiais que sibilam nos céus de hoje
precedendo o estrondo que a morte faz, ao cair.
Nada fica de pé,
escombros e poeiras onde antes brincavam crianças.
E no meu peito,
agora que o dia acabou, a quietude
é uma estrela vacilante que vive
num livro só meu onde constam
mil e um tratados de paz ao alcance das mãos.
Literatura desprovida de vida.
Lídia Borges