Sentiste? Agora mesmo,
aquele aroma de laranjas e beijos
que trocámos
em verões de janeiro?
Tens agora esse jeito indiferente
de estar contigo, esse modo
desapaixonado de
ser, aqui.
Como se tivesses sido traído,
como se não reconhecesses, à partida,
no âmago de tudo,
o embrião inviolável da finitude.
Como se não pudesses perdoar-te
teres perdoado,
após beijos e laranjas,
todos os silêncios trocados
em invernos de agosto.
Lídia Borges (11/01/2016)
