In Sou Tu Quando Sou Eu - Homenagem à Amizade
Antologia de Poemas Inéditos
Prefácio e Organização de Maria Teresa Dias Furtado
Mais negro de negro,
fico mais nu.
Só quando sou rebelde sou fiel.
Eu sou tu quando
sou eu
(...)
Um fio apanhou outro
fio:
separamo-nos abraçados.
Paul Celan,
do
poema “Elogio da Distância”, in Papoila e Memória (1952)
Tu Sabes
Das palavras com que me falas
como se contigo falasses
separo algumas desassombradas.
São embarcações naturais
para marearmos à vista
acalmias e vendavais
Das outras que em flor se abrem,
amo as vegetais,
diálogos de raízes e húmus dos quais
vemos brotar o vinho com que brindamos,
nos olhares, puros cristais.
Inventamos com as solares,
rios, risos, liames, laços
e outras de idênticos sentidos
uma pronúncia de vida
cantos e prantos repartidos
As de Paz - tu sabes - que incrível cintilar!
[...]
Lídia Borges (Maio, 2021:pág. 34), Poética Grupo Editorial
