terça-feira, 12 de janeiro de 2010


O negro do corpo adensa-se nas rugas rompidas da casca, nos côncavos e convexos da dor, nas veias ressequidas, vazias de sangue, nos filões profundos crestados pelo tempo e pelo fogo incandescente que solidificou nos braços remotos.
Moribunda, permanece na sua verticalidade intrínseca.
Em volta, outras, frágeis, aprendem como se morre de pé.

30 comentários:

Mariana disse...

Lídia, vim conhecer o teu blog.
Teus post são para refletir.
Gostei desta imagem, deu dó da árvore, quase morta...secando..

marinaCqm disse...

Concordo com Mariana...
várias das tuas postagens
fazem-nos refletir.

=]

Abraços e espero tua visita!

Alberto Oliveira disse...

... pelos vistos, apenas às árvores é concedido (?!) morrerem de pé. O que devia ser um exemplo para a condição humana...

Sorrisos.

Jaime A. disse...

É triste e linda esta verticalidade...

José Carlos Brandão disse...

Foto muito boa. Nem seriam necessárias as palavras, que, no entanto, dizem muito: muitas vezes já nos comparei, a nós, homens, às árvores - as raízes plantadas na terra, enquanto nós, seres racionais, somos desenraizados.
Bela lição: não se entregar à dor.
Um beijo.

A.S. disse...

De pé! Como quem triunfa sobre a morte!

Magnifico Lidia!

Beijos
AL

RENATA CORDEIRO disse...

Como se morre de Pé! Sempre*
Maravilhoso.
Obrigada.
Beijos mil, Lídia,
Renata

Anónimo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
angela disse...

Lindo texto em perfeita consonancia com a foto.
Triste e reflexivo.
beijos

Victor Gil disse...

Amiga Lídia.
Normalmente as árvores morrem de pé. O problema é quando morrem no negro do fogo.
Excelente texto.
Beijos
Victor Gil

Graça Pereira disse...

É dificil morrer-se de pé entre cinzas e fogo...O corpo, pode cair mas, a alma, é ramo aberto erguido ao céu...
Para reflectir no texto e na foto belissima!
Um bj
Graça

Moni Saraiva disse...

É como se pudesse vencer a morte...ou pelo menos, não se curvar diante dela...

Adorei!

Beijos!

ju rigoni disse...

Ainda que lindas, fortes e bem nutridas, são indefesas. Sob fogo, machado ou motoserra - de pé, ou decepadas com a mesma violência com que alguns cortam a cabeça de irmãos -, sucumbem à natureza do homem.

Obrigada, Lídia, pela visita e comentário. Meu coração bate no ritmo das linhas e entrelinhas dos seus belos escritos.

Bjs e inté!

Anónimo disse...

A força interior não se curva, desafia o tempo, morre de pé.

Um beijo

Ana Cristina Cattete Quevedo disse...

Lindo, lindo mesmo. É para ler, reler e sentir.
Gosto muito dessas metáforas envolvendo árvores/ raízes/folhas

Beijo, Lidia

Eva Gonçalves disse...

Lindo texto e triste realidade... fico sempre triste perante um cenário destes. Venero as árvores e assistir a este espectáculo, doi demais...
Beijo

DIABINHOSFORA disse...

Estas árvores são como viuvas tristes mas orgulhosas. De luto pelo que perderam, mas de pé!
Doi, observar estes cenários...
O teu post, lindo como sempre. É um prazer ler-te Lídia.

Obrigada pelos teus comentarios no meu blog, és uma querida :))

Beijinhos

Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Lidia
O nosso futuro nessa arvore.

Moribunda, permanece na sua verticalidade intrínseca.
Em volta, outras, frágeis, aprendem como se morre de pé.

Lindo

Beijinhos
Sonhadora

A Palavra Mágica disse...

Lídia,

Já vi muitas árvores secas que pareciam não haver mais esperanças e de repente...

Seu texto me fez lembrar desta letra, cujo autor eu desconheço:

Galhos Secos

Nos galhos secos
De uma árvore qualquer
Onde ninguém jamais
Pudesse imaginar
O criador vê
Uma flor, a brotar
Olhai, olhai, olhai
Os lírios cresceram no campo
E o Senhor nosso Deus
Os tem alimentado
Para nossa alegria

Beijos!
Alcides

Paula Barros disse...

As raízes alimentam, sustentam...as raízes fazem ficar de pé, e erguer os braços de novos galhos em busca de luz, do sol, do azul do céu, e assim caminhar.

abraço

João de Sousa Teixeira disse...

Não fosse a contemplação da morte, a aprendizagem da vida e da verticalidade são motivos mais que suficientes para dizer presente.
À ideia e ao texto. Belíssima metáfora.

Beijinho
João

_Sentido!... disse...

Sim... há momentos plenos de eternidade!...

Este teu blog, já li e reli uma montanha de vezes. De uma profundidade arrepiante, não encontrei ainda palavras para comentar.

Te abraço.

nydia bonetti disse...

Mas antes disso, quantas vezes terá explodido em flores... Lindíssimo, Lídia!

beijos

Sandra Botelho disse...

Assim como a vida, primeiro o viscejar maravilhoso da juventude.
Depois, a maturidade das folhas e no final a força e a serenidade da velhice...
Lindo de viver teu poema.
Bjos no coração!

Nilson Barcelli disse...

A aprendizagem das outras ávores é uma visão poética muito interessante.
Gostei imenso das tuas palavras.
Abraço.

Akhen disse...

Lidia

Primeiro
Quantos poemas escreveu dos quais eu gostaria de ter escrito versos? Tantos.
Se puder, vá a http://jim-viajantedotempo.blogspot.com e veja o que lá coloquei hoje. Diga-me o que acha.
Fui com umas pessoas amigas a uma loja e lá visualizei aquela imagem. Não resisti a escrevê-la.
Agora o seu post. Gostei. É tão dificil morrer de pé, quanto mais aprender a fazê-lo.
A imagem que me ocorreu foi a de um adulto, que aguenta (de pé) os desafios que lhe são colocados e as crianças que não têm capacidade para se defenderem.
Na RTMemória, numa reposição, vi, julgo que era Palmira Bastos, dizer a celebre frase "De pé, como as árvores".
Que lição de dignidade que elas nos dão e ainda há quem lhe chegue o seu inimigo natural, o Fogo.
Beijo

Paz e Luz no seu caminho

AFRICA EM POESIA disse...

Lidia
àrvore fantástica


A escola terminou por hoje e já estou a sentir o fim de semana...

Com mais tempo mas com muito frio deixo para ti...um beijo e o que gosto de fazer...


Poesia...


SEGREDOS

Segredos meus…
Segredos teus…
Segredos nossos…
Mas sempre segredos…

Segredos calados…
Segredos sofridos…
Segredos escondidos…
Porque são só nossos…

E nestes segredos…
Que doem, por serem segredos…
Não vamos contar…
E vamos calar!...


Lili Laranjo

a d´almeida nunes disse...

Bela e exaltante foto a gritar suavemente a dor duma solidão pungente mas resistente.
Como que a querer mostrar-se como exemplo de coragem face às contingências da vida...


Bj
António

Maria Emília disse...

Até na morte as árvores são majestodas.
Um beijinho,
Maria Emília

sérgio figueiredo disse...

A força de um resistir e manter viva a imagem do que foi mas que, mesmo com as contrariedades da natureza, o seu lugar e "figura" continua e propõe o olhar e o recordar.
As cores de uma fotografia a conjugarem com a expressividade das palavras.

obrigado