sábado, 14 de agosto de 2010

Agora
parece-me uma tarefa
impossível
encontrar a coerência
de um corpo para dar às palavras
que guardo na alma.

Tenho-as todas enclausuradas
em gaiolas
Como pássaros, outrora livres.
Curiosamente,
quem sucumbe à dor do silêncio
não são elas. Sou eu!

Deixo escorrer a noite
pela melancolia das mãos
Tão sós, tão incapazes…

33 comentários:

João A. Quadrado disse...

[soltem-se as amarras, finos arames dentro desse céu finito ao poeta, impossível ao poeta, improvável como a gaiola que o corpo esconde... as mãos? as mãos soltam-se, tomam em si as amarras e transformam-nas em ventos de palha]

um imenso abraço,

Leonardo B.

Unknown disse...

poema tão bonito, lembrou-me Neruda quando ele fala "e te pareces com a palavra melancolia",


beijo

Teté M. Jorge disse...

Lídia... um encanto tudo por aqui... a sua poesia, o comentário do Leonardo e a música.
Vir aqui é um alento pra alma. Obrigada.
E que as amarras se soltem da alma...
Beijos ternos e um ótimo domingo.

José Doutel Coroado disse...

belo poema!
abs

a d´almeida nunes disse...

Lídia

Sente-se algo
de melancólico
de nostálgico...
Ou de amargura?

Enfim,
Poesia sentida
Vivida?

Embora importe,
Que importa?

Um beijo
António

lis disse...

LÍdia
palavra prisioneiras que quando ganham o ar num vôo alto enchem o nosso coração de poesia.
mes abraços

Moni Saraiva disse...

Palavras-tuas
se guardam, se escondem
esperando a hora certa
a cena perfeita
e atuar...

Lindo poema, Lídia!

Beijos, Moni

angela disse...

Adoro esse quadro, me encanta o quanto ele me transmite angustia e desatino e conseguistes fazer um poema perfeito para ele. Não soubesse eu, quem veio primeiro, poderia me enganar completamente.
beijos

ELILUC disse...

Precioso poema!!!
un abrazo

Ana SSK disse...

então "eu" sucumbo à dor do silêncio.
bem bonito...

aapayés disse...

Es un poema magnifico..



Siempre es bello leerte..



Un abrazo
Saludos fraternos..

José Carlos Brandão disse...

Mesmo nas gaiolas, os pássaros cantam. Talvez seja quando mais precisam cantar. E um canto feliz, para alegrar a liberdade limitada, mas existente no fundo da alma.
Um beijo.

nydia bonetti disse...

Nossos pássaros interiores se rebelam e fazem do poema o canto e o vôo. Também me fez lembrar Neruda, pela força e pelo desalento. beijoos.

Carmo disse...

Lídia, sublime este seu poema.
Mas mesmo na gaiola o canto silencioso dos pássaros fazem-se ouvir.
Beijinhos
Boa semana

UBIRAJARA COSTA JR disse...

Tão profundos sentimentos... Também trago em mim palavras caladas, sem caminhos para se abrirem para o mundo... Creio que cada um de nós, em algum momento da vida, teve que calar um grito, um sussurro, uma palavra que nos engasgava...
Lindo seus versos, Lídia. Lindos...
Beijos

Juliana Matos. disse...

Palavras da alma..que coisa linda..isso vale a pena ser agora!!
Um beijo Lídia, lindo poema!
Ju

poetaeusou . . . disse...

*
um belo poema
,
calo a mágoa,
na dor da nostalgia !
,
um mar de luz, deixo,
,
*

poesia del cielo disse...

muito ogrigado pela sua visita y pelo seu comentario que agradeco muito...

Saludos
Abracos

Bom final de semana

Permiso pra le seguir seu blog .... y convido a vc me visitar pois vc ja e benmvinda a meu ceu...

SAludos

vieira calado disse...

Podem-se dizer palavras em silêncio.

Só nós as deciframos!

beijocas

Deia disse...

Se até as mãos sentem-se solitárias, imagino o imenso vácuo que existe dentro da personagem... O Silêncio, em si, não é maléfico, mas quando a ausência do outro nos cala, aí precisamos rever nossos conceitos. Lindo Lídia! Um beijo, Deia

Anónimo disse...

Lindo. Um dia as palavras retomam a liberdade e farão a você. Adorei!

Beijos

AC disse...

Há todo um mundo em convulsão dentro de nós que não se compadece com as nossas amarradas convenções... até ao dia em que se libertem as palavras das gaiolas.

Beijo :)

Mona Lisa disse...

Olá

Belo e melancólico poema.
Lendo-o senti o Outono...
Bjs.

Alberto Oliveira disse...

... um dia, quando menos esperamos ei-las, as palavras, voando libertas da clausura quem sem querer lhe impusémos. No caso concreto, a simbologia não é de modo algum negativa: é um pássaro-pausa. Sem asas cortadas.

Virgínia do Carmo disse...

Há que libertar os pássaros e as palavras...

Abraço

Rosa dos Ventos disse...

Pelo contrário, nada incapazes!
Lindo o poema...

Abraço

manuela baptista disse...

depois da noite cair

solto as mãos
antes pássaros
agora sós

num tão belo poema, o seu

um abraço

manuela

sonho disse...

Deixo escorrer a noite
pela melancolia das mãos
Tão sós, tão incapazes…
E foi atraves da melancolia das tuas mãos...nasceu a escrita deste lindo poema
Beijo d'anjo

Ana Martins disse...

Boa noite Lídia,
É tão estranho, quando sentimos as mãos incapazes.

Lindo o seu poema!

Beijinhos,
Ana Martins
Ave Sem Asas

Anónimo disse...

"escorrer a noite pela melancolia das mãos"

Encontrei-me perfeitamente em seus versos. Moça, adoro ler-te, não canso de dizer!

Beijos.

flaviopettinichiarte disse...

tudo belo esse poema, cada palavra uma cor, cada estrofe uma nuance, cada verso uma obra...Lindo , fiquei realmente emocionado!! como falou Mona liza no coment acima ..cores de outono ou de um inverno suave!! obrigado!!

Everson Russo disse...

Um belissimo poema que nos faz refletir,,porque as vezes nos sentimos tão presos,,,tão confinados até em palavras....beijos de otima semana pra ti.

ana p disse...

Muito bonito
Beijo