
O relógio não mostra ainda aquela hora crepuscular que tudo confunde: o dia mistura-se com a noite ou a noite com o dia, o sentido habitual das coisas dispersa-se na incerteza das luzes, na imprecisão dos contornos, no desnorte dos desejos…
Mas não é essa hora indeterminada que agora me detém.
O que me inquieta é a falta de cor, a ausência de brilho nas linhas que cosem este pôr-do-sonho triste como o cair desamparado de uma ave ferida sobre o lajedo.
Ouço já, distintamente, o bater descontrolado das asas e o gemido de dor antes do baque cruel a marcar o fim do último voo. E depois… Só um silêncio nu e frio!
23 comentários:
Minha querida, mesmo sendo o último voo, sempre valerá a pena, não é? Ainda que o silêncio que o siga seja ensurdecedor. Mágica, como sempre. Ai, como gosto dos seus girassóis! Ensinam-me, sempre, o caminho da luz!Um doce beijo, Deia.
lindo e triste ao mesmo tempo, uma estória/história de vôo...as vezes se cansa.
Beijos
Lídia, queremos mandar no tempo, mas é ele quem manda na vida da gente. Se passa depressa reclamamos, se devagar reclamamos. Então é curtir cada momento como se fosse único. Lindo!!! Bjs
Minha querida Lídia
Mesmo que seja o ultimo vôo, que seja para a luz e não para a escuridão.
Adorei o texto, muito profundo.
Beijinhos com carinho
Sonhadora
No exílio deste sonho de surpresas
em sombra e luz entregue e solitária
a ave lança redes da paisagem sobre nós,
em penumbra e espanto
contemplamos seu voo
antes da partida
Gostei imenso!
Um beijo
Inquietante sim a falta de cor Lídia
um pôr do sol sempre traduz alguma luz mesmo que melancólica.
como sempre, delicadas palavras com vôos sublimes.
parabéns pelo dom especial que tens.
abraços saudades
não tebho conseguido comentá-la. veremos hoje.
Texto muito bem escrito, como sempre. Triste como um pôr-de-sonho de ave já cansada.
Um beijo.
Na hora indecisa do crepúsculo...o caminho é menos nítido... e é natural que até nas aves surja o cansaço...mas em todos os caminhos a noite cai...No entanto, durante o dia fez-se um voo pleno, repartido, cheio de cambiantes... melancolia por tanto que se deu? Nunca!
Beijo
Graça
Olá
Belo e nostálgico texto.
Gosto dessa hora em que a noite se confunde com o dia...é mágica!
Bjs.
Olá amiga.
Quando as palavras são ditas, ou escritas, assim como tu as escreves, qualquer hora, qualquer crepúsculo, qualquer voo, mesmo que último, se transforma em amanheceres serenos e auroras boreais, iluminando as manhãs sem sombras.
Beijos
Victor Gil
Obrigada por sua visita. Vim conhecer o seu cantinho... ele tem muito de especial.
Felicidade!
Beijos.
Não há nada mais triste que a ausência de cor e ela acontece em qualquer hora do dia ou da noite é só nossa vida carecer de emoção e/ou paixão.
Lindo o que escreveu.
beijos
Belo texto...Espectacular....
Cumprimentos
Hora de te aplaudir...
Beijos!
Os silêncios nus e frios depois de tudo aquilo que nos faz sentido predominam em nossas paisagens internas.
E nas linhas que cosem os pôres-de-sonho tristes, escrevemos nossos melhores poemas.
Os sonhos têm asas e voam e morrem em gritos de agonia... renascem como fénix como o dia se segue à noite, felizmente.
Bebi um voo por todos os sonhos que teimam em não morrer.
Um beijo
Agradecida pela visita e comentário num dos meus blogs, vim conhecer o teu espaço, que me encantou.
Dei uma olhada rápida pelos ultimos posts e gostei francamente.
Se me permites vou fazer-me tua seguidora, e continuar a visitar-te.
O último post, ainda que impregnado de tristeza e melancolia, é muito belo. Parabéns!
Beijinhos
PS - Reparei que na sidebar tens em destaque os "maiores" da poesia, todos eles de minha preferência...
*
é hora
de reler mais uma vez,
o teu belo texto !
parabéns,
,
acertadas conchinhas,
deixo,
,
*
Lidia...
... e assim o sol desce a espiral das horas, afogando o crepúsculo num manto de cinzas...
Um beijO
AL
E que essa ave renasça, assim como a fênix.
Um abraço, beijos.
Um texto lindo na criação literária. Mesmo triste e inquietante.
Porém para mim é sempre lindo, gosto de textos inquietantes, que remexem por dentro quando leio.
abraço
Com o passar das horas é que envelhecemos, né?
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