quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Banco de Jardim


Aquele banco de jardim, abrigado pela árvore
tem histórias p'ra contar.
Fala de pássaros, de ninhos, de meninos a brincar.

Fala de um velhinho
que reparte pelos pombos saquinhos de afeição:
migalhas da migalha à sua mesa.
São eles os seus amigos, é com eles que conversa.
Conta dos filhos ausentes, do lar, da solidão...

Depois vem o outono expulsar os passarinhos
Vem o inverno p'ra ficar eternamente...

Porém, uma manhã, de repente
os pássaros voltam a encher de vida os ninhos,
voltam os pombos, o sol e o riso dos meninos.

Mas algo se faz diferente, alguma coisa mudou.
À tarde, naquele canto sombrio, o banco jaz vazio.
O velhinho não voltou.

35 comentários:

Rogério G.V. Pereira disse...

Não se assuste poeta
Não se assuste querido banco de jardim
apenas vim
sentar-me um pouquinho
esbater saudades deixadas
por aquele outro velhinho
Não se assustem

Anónimo disse...

Se os bancos de praça falassem, eu sentaria todos os dias neles para ouvir suas histórias.

Belo poema!

Beijo, Lídia.

marinaCqm disse...

"Fala de um velhinho
que reparte pelos pombos saquinhos de afeição:
migalhas da migalha à sua mesa."

Bonitos gesto, sentimento, sensibilidade.

Unknown disse...

Os bancos do jardim não contam histórias. Ouvem tantas coisas e guardam-nas no silêncio das noites e dias esquecidos da multidão.

MeuSom disse...

Muito bom!!!

Juliana Matos. disse...

Lídia adoro esses lugares, eles me trazem uma paz interior incrível, trazem lembranças, memórias, momentos únicos sentados nestes bancos! Um beijo minha querida!

Ana Echabe disse...

Outro banco
Outros cantos
Outro sol
Faz-se novo olhar
Logo longo espreguiçar
Outras tantas novas historias...

Um lindo poema, com um fim de tarde.
Bjinhos.

Alma Mateos Taborda disse...

Me imagino las historias que tendrá ese banco, tal vez en soledad las recuerde para entretenerse. Muy bonito post. Un abrazo.

Mona Lisa disse...

Olá Lídia

Um jardim...um banco...o fim de uma "história"...

Um poema Soberbo!

Bjs.

Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Minha querida
Um poema de vida, nos bancos de jardim existe tanta vida para contar.

Beijinhos
Sonhadora

AFRICA EM POESIA disse...

Lídia
Belo banco de jardim...
Um beijo



Quase sem tempo ...
Ando a correr...

preparo novo livro de poesia...

Deixo um beijo...

E deixo as minhas notas soltas...


NOTAS SOLTAS



Notas muitas notas...
Soltas e não só...
E eu, vou tomando notas...
Para um dia poder recordar...

Tomo notas, do céu e da terra...
Da lua e das estrelas...
E vou tomando notas...

Com o coração a bater...
E com o sentir da vida...
Do mundo e de ti...
E continuo a tomar notas...

E nestas notas, escritas por mim
Eu escrevo também para ti...
E debruço-me sobre os meus braços
E... continuo... a tomar notas!...

LILI LARANJO

Rosemildo Sales Furtado disse...

Se os bancos de jardim falassem,
Teriam muita coisa pra dizer.
Coisas que somente alegrassem,
E outras só para entristecer.

Belo poema minha amiga.

Beijos e ótima sexta-feira pra ti e para os teus.

Furtado.

MariaIvone disse...

Os bancos de jardim sabem tanto que me espanta que não falem. Emudeceram de saudades dos velhos que não voltaram.

Muito bonito o seu poema.
Bj
MariaIvone

Anónimo disse...

O tempo... inexorável...
Emocionante!
Também quero morrer no inverno... quem sabe ressuscito em algum jardim...
Lídia, vc escreve muito bem.
Beijokas.

Mar Arável disse...

Há bancos que resistem

a todas as estações

UBIRAJARA COSTA JR disse...

Assim é a vida. Somos todos passageiros, passantes por estes caminhos que continuarão floridos na primavera, tristes no inverno, quase imutáveis, como se quem por ali passou não tivesse feito a menor diferença para eles... Assim corre a vida...
Beijos e um otimo final de semana.

Carlos Gonçalves disse...

Lidia, talvez por me aproximar da velhice, tenho medo, sinto mesmo angustia quando vejo um banco de jardim! Um dia escrevi um texto a falar da velhice, do qual respigo algumas frases:
'...
Velho! Só a simples palavra me faz sofrer, me atormenta, me causa angústia…
É vê-los, em grupos, em ajuntamentos, em volta dum banco de jardim, numa mesa duma qualquer sociedade de recreio, numa qualquer cidade, numa velha taberna ou café, numa qualquer aldeia do interior desertificado, num lar, num qualquer lugar…
...
Não, não quero me enclausurar, não quero ser mais um do grupo, não quero sentir a piedade do mundo hipócrita, quero viver solto, quero andar pelas planícies, pelas serras, por montes e vales, ler um livro sentado numa qualquer fraga, escrever um hino à beleza, ouvir os sons da natureza, cheirar o perfume dos campos, admirar o voo e o cantar dos pássaros, sentir o sol e o vento me acariciar ou fustigar o rosto, tirar um fruto duma qualquer árvore, colher uma flor…
Quero sentir a liberdade no ocaso da existência, a liberdade que só senti no amplexo da natureza, escutar o zumbir das abelhas e o cantar da cigarra, gargalhar como as raposas e uivar como os lobos na serra, sentir que a irracionalidade dos animais é mais pura do que a racionalidade dos homens, gritar e ouvir nas montanhas o eco da minha loucura lúcida, desnudar-me, beber e tomar banho naquele ribeiro de águas límpidas e virginais, lavar o corpo sujo e a alma impura, sentir-me Adão na inocência do primitivo da vida.
Não, velho, não! Por favor, vida, não profanes os meus sentidos, deixa-me viver como eu sou, nesta ânsia de nascer todos os dias, e quando eu não te puder acompanhar, deita-me naquele vale verdejante, adormece-me sob a sombra daquele salgueiro, símbolo da imortalidade da alma, que aquela flor além, aquela rosa, deixe em mim o êxtase do eterno perfume da vida.'

Sim, Lidia, 'Gostava de morrer, vivendo e não de andar no crepúsculo, morto!'

Beijo de muito afecto, querida.
Carlos

Mª João C.Martins disse...

Lídia

De todas as histórias e memórias que ficam gravadas nos bancos sombrios do jardim, as que mais me doem, são as que falam de solidão.
Seria bom, que não fossem apenas os pássaros a guardá-las e isso só será possível, se cada um de nós acarinhar e guardar o que os nossos ascendentes têm para nos contar. É imensa a sageza das palavras de um velhinho... e quanta sabedoria anda a ser desperdiçada, pela escolha de outros valores menos importantes para a felicidade de cada um.

Este poema é uma voz que grita à consciência de cada um. Uma voz à qual eu junto a minha, incondicionalmente!!

Um beijinho

Dilmar Gomes disse...

Olá amiga. Lindo o seu poema. No seu banco da praça passa a vida, sem exclusão, passam todas as gerações, dos meninos aos anciões, ao mesmo tempo em que nos lembra da finitude da existência, pois o velhinho que estava ontem sentado no banco poderá partir hoje...
Um grande abraço.

Graça Pereira disse...

O vento norte soprou
agreste no seu Outono
O velhinho levou
Para o eterno sono...

O banco do jardim
Dele, sentiu saudade...
pensou: é o fim
de uma grande amizade!

Vieram os pombos perguntar
-Que é feito do nosso amigo?
Partiu p'ra outro lugar
que encontrar, não consigo...

Talvez encontremos o caminho
Mesmo pertinho do céu...
Lá estará o velhinho
Por tanto que nos deu!!

Lindo este teu poema!
Beijo
Graça

Zélia Guardiano disse...

Belíssimo, Lidia!
Estou encantada com seus escritos e com o seu espaço!
Virei sempre!
Abraço.

Unknown disse...

Muito bonito este poema.
Beijinho e bom fim de semana.

Parapeito disse...

comoveu me ***** de certeza que o velhinho "continua a passar por lá"
Brisas doces para ti Lidia*****

JB disse...

A sua poesia é muito bela, sem dúvida, e embora o seu último verso nos leve a pensar no outro lado da vida, o impressionante é que esse banco de jardim está cheio de lembranças que valeram a pena e quem nele se senta retrocede no tempo e ouve o riso dos meninos, vê o nascer e o voo dos pássaros, alimenta os pombos...

Lindíssimo poema!

beijinho

sonho disse...

Se esse banco falasse tinha muito que contar...o lugares continuam os mesmos...as pessoas é que são diferentes...uns vão outros veem...
Beijo d'anjo

Sara disse...

Muito inspirado e inspirador este poema. Fez-me pensar nos objectos inanimados que nos rodeiam, negligenciados no frenesim diário, e que, na realidade, estão prenhes de "vida".

Bom fim-de-semana!

AC disse...

Há muito que me venho sentar nesta Seara, onde se respira sempre o aroma das coisas essenciais.
E espero continuar a sentar-me...

beijo :)

Anónimo disse...

Tememos, quem sabe, que daqui em diante tudo se resuma a esse conforto interior no qual se aninham lembranças, tudo desenovelado e resolvido...pensamos.
A tarefa de viver nunca se conclui, a não ser que a gente determine.O sonho e o susto sopram em nosso ouvido quando tudo parece apaziguado.Logo a certeza de ter enfim chegado a um ponto imutável e é inevitável.
Algo para sempre ficará neste banco de jardim...a energia, somente ela é eterna!

Um beijo!

Maria Rodrigues disse...

Minha querida, que lindo o seu poema. Quantas histórias teriam os bancos de jardim para contar. Histórias de alegria e de amores, de tristeza e de solidão.
Que Deus ilumine hoje e sempre o seu caminho.
Tenha um maravilhoso fim-de-semana
Bjs do tamanho do infinito
Maria

Rosa dos Ventos disse...

Há sempre outro velhinho a tomar esse lugar de solidão, de migalhas de pão na mão...

Abraço

Teté M. Jorge disse...

Esses bancos têm memória...

Lindos versos.

Beijos.

José Carlos Brandão disse...

Texto de grande sensibilidade.

ítalo puccini disse...

que belíssimo poema.

gosto de teus versos. que vão levando, levando. cativando. tomando para si.

grande abraço.

Sônia Brandão disse...

Na verdade, o banco não está vazio. Está cheio de memórias.

bjs

Cris França Psicologia e Educação no Trabalho disse...

Belíssimo!