
Será esta a dor que o Poeta finge ter?
É dor que não chega a ser
E ainda assim
Não deixa de doer
Como pode acontecer
A saudade do que não aconteceu?
A luz do sol que não nasceu?
A carícia da brisa que não ocorreu?
Permitam-me voltar atrás
Repetir o meu olhar
Para que possa entender
E se ainda assim não abarcar
Deixem-me ao menos riscar
Como se faz num rascunho
Este pedaço de vida
A que de longe assisti
Como se não fosse a minha
Mas outra que então vivi
E foi nessa que aprendi
A verdade que o sonho tinha
Lídia Borges
33 comentários:
Esta dor é compartilhada, esta melancolia, este olhar perdido do poeta. Ninguém sabe de onde vêm, devem ser sempiternos.
Beijo, linda.
Permite-me dizer-te que repeti a leitura várias vezes...
Tão lindo!
Abraço
da ilusão...
da dor que o poeta inventa
e dói...
não a que finge,
se finge não tem ilusão...
e assim a gente aprende como sonhar até faz bem, faz parte das coisas singelas e boas do nosso dia a dia (tão cansativo, pesado e por vezes doloroso...)
Belo poema, Lidia.
Beijo.
Uau, a Lídia no seu melhor!
Beijo :)
Aprendemos sempre
quando tentamos conquistar
infinitos
Bjs
Segui o poema
Repeti o meu olhar
Embarquei noutro pedaço de vida
também
E foi nessa que aprendi
A verdade que o sonho tem
(Seguir sempre o poema
Passou a ser meu lema)
Amiga Lídia, o seu poema é lindo. Bonita homenagem a Fernando Pessoa, um poeta, que eu amo.
Um grande abraço.
O poeta sente dores que os demais sequer supõe existirem!! O poeta sente a ALMA latejar!! Beijos, minha querida!! Deia.
É isto a literatura, o parodoxo de sonhar o sonho...
O poeta diz de todas as dores, de todos os sentires...por ser um em muitos e em cada um de nós...por isso os poetas são sagrados...conhecem "a verdade que os sonhos têm"...todos os sonhos.
Um beijo
Lindos versos...
"Como pode acontecer
A saudade do que não aconteceu?"
Pois é... eu sinto isso... como pode?
Beijos ternos.
Uau, belíssimo.
Nossa, parecia o Pessoa de tão profundo!
É isso aí que o poeta sente e diz nos seus versos.Só a alma sensível pode explicar.
Beijos
Somos seres complexos: Vivemos no presente, sonhando com o futuro e olhando o passado.
Somos como lâmpadas teimosas marchando ao vento carregando a melancolia da palavra saudade.
Trazemos nas mãos essa vocação indomável dos rebeldes e dos eternos peregrinos...até um dia.
Beijo
Graça
Partindo da idéia que todos os dias nascemos...
Sim,
risca, faça muitos rascunhos
assim o sonho é fato,
logo podemos criar argumentos.
Bjinhos e uma semana cheia de lua nova pra vc
Lidia...
Belo poema! Quão dificil é distinguir a realidade do sonho!!!
Beijos
AL
Tu poesía es esbelta de literatura es preciosa..
Un delicia leerte siempre..
Un abrazo
Saludos fraternos..
Isso de aprender a verdade tem muito que se lhe diga e julgo que concordará.
Belíssimo poema amiga. Muito profundo. Adorei!
Beijos pra ti e para os teus.
Furtado.
Lindíssimo poema, Lídia!
Lindíssimo!
Mexeu-me demais com a emoção...
Grande abraço, querida!
Oi, Lídia...
Muuito bom o seu blog, suas idéias e seu bom gosto. Parabéns pelo trabalho.
Estou te seguindo.
Beijos no coração,
EDU (http://edurjedu.blogspot.com)
Minha querida
Um belo poema...sonho e realidade, qual dos dois...
Como pode acontecer
A saudade do que não aconteceu?
A luz do sol que não nasceu?
A carícia da brisa que não ocorreu?
Adorei
Beijinhos com carinho
Sonhadora
Que poema lindo, Lídia. Um diálogo com o Autopsicografia, desdobrando-o, tornando-o pessoal, não pessoano, mas lidiano. O sonho e a dor, como se fôramos outros, sofrendo embora.
Beijo.
Lídia Borges.
Caminha a passos largos para ... o cume...
Espero que continue nesta senda dando-nos alegria, graça e uma torrente de emoções!
Ser ou não ser é o que o poeta quer aprender!
Lindo seu texto é muito bom voltar aqui em seu mundo de inspirações...
As tuas palavras esticam a percepção da realidade, estendendo as emoções como um manto que se perde no horizonte...
O poeta pode tornar a dor mais intensa...mas que lhe doi...doi...
Beijo d'anjo
de ilusão todos vivemos!
beijo!
Um bálsamo poético por excelencia...
Querida lídia, que bom que pude voltar e me encantar com estes lindos versos. Volto outras vezes para colocar a leitura em dia.
Bjs
que maravilha! ritmo impregnado de beleza.
beijo, poeta estimada.
As saudades do futuro são as saudades que mais nos atormentam porque... é uma saudade que não chega a ser...
e acordar ,valeu a pena?
prafraseando ,de novo Pessoa ,talvez me respondas - "tudo vale a pena ,quando a alma não é pequena"
e se ela ,como a minha ,for pequena? que fazer?
.
um beijo ,Lídia
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