terça-feira, 12 de outubro de 2010

Da Ilusão


Será esta a dor que o Poeta finge ter?
É dor que não chega a ser
E ainda assim
Não deixa de doer

Como pode acontecer
A saudade do que não aconteceu?
A luz do sol que não nasceu?
A carícia da brisa que não ocorreu?

Permitam-me voltar atrás
Repetir o meu olhar
Para que possa entender

E se ainda assim não abarcar
Deixem-me ao menos riscar
Como se faz num rascunho
Este pedaço de vida
A que de longe assisti
Como se não fosse a minha
Mas outra que então vivi

E foi nessa que aprendi
A verdade que o sonho tinha

Lídia Borges

33 comentários:

Anónimo disse...

Esta dor é compartilhada, esta melancolia, este olhar perdido do poeta. Ninguém sabe de onde vêm, devem ser sempiternos.

Beijo, linda.

Rosa dos Ventos disse...

Permite-me dizer-te que repeti a leitura várias vezes...
Tão lindo!

Abraço

MeuSom disse...

da ilusão...
da dor que o poeta inventa
e dói...
não a que finge,
se finge não tem ilusão...

e assim a gente aprende como sonhar até faz bem, faz parte das coisas singelas e boas do nosso dia a dia (tão cansativo, pesado e por vezes doloroso...)

Belo poema, Lidia.
Beijo.

AC disse...

Uau, a Lídia no seu melhor!

Beijo :)

Mar Arável disse...

Aprendemos sempre

quando tentamos conquistar

infinitos

Bjs

Rogério G.V. Pereira disse...

Segui o poema
Repeti o meu olhar
Embarquei noutro pedaço de vida
também
E foi nessa que aprendi
A verdade que o sonho tem

(Seguir sempre o poema
Passou a ser meu lema)

Dilmar Gomes disse...

Amiga Lídia, o seu poema é lindo. Bonita homenagem a Fernando Pessoa, um poeta, que eu amo.
Um grande abraço.

Deia disse...

O poeta sente dores que os demais sequer supõe existirem!! O poeta sente a ALMA latejar!! Beijos, minha querida!! Deia.

E.A. disse...

É isto a literatura, o parodoxo de sonhar o sonho...

Ana Oliveira disse...

O poeta diz de todas as dores, de todos os sentires...por ser um em muitos e em cada um de nós...por isso os poetas são sagrados...conhecem "a verdade que os sonhos têm"...todos os sonhos.

Um beijo

Teté M. Jorge disse...

Lindos versos...

"Como pode acontecer
A saudade do que não aconteceu?"

Pois é... eu sinto isso... como pode?

Beijos ternos.

Ana SSK disse...

Uau, belíssimo.

piedadevieira disse...

Nossa, parecia o Pessoa de tão profundo!
É isso aí que o poeta sente e diz nos seus versos.Só a alma sensível pode explicar.
Beijos

Graça Pereira disse...

Somos seres complexos: Vivemos no presente, sonhando com o futuro e olhando o passado.
Somos como lâmpadas teimosas marchando ao vento carregando a melancolia da palavra saudade.
Trazemos nas mãos essa vocação indomável dos rebeldes e dos eternos peregrinos...até um dia.
Beijo
Graça

Ana Echabe disse...

Partindo da idéia que todos os dias nascemos...
Sim,
risca, faça muitos rascunhos
assim o sonho é fato,
logo podemos criar argumentos.

Bjinhos e uma semana cheia de lua nova pra vc

A.S. disse...

Lidia...

Belo poema! Quão dificil é distinguir a realidade do sonho!!!

Beijos
AL

aapayés disse...

Tu poesía es esbelta de literatura es preciosa..

Un delicia leerte siempre..

Un abrazo
Saludos fraternos..

Lúcio Ferro disse...

Isso de aprender a verdade tem muito que se lhe diga e julgo que concordará.

Rosemildo Sales Furtado disse...

Belíssimo poema amiga. Muito profundo. Adorei!

Beijos pra ti e para os teus.

Furtado.

Zélia Guardiano disse...

Lindíssimo poema, Lídia!
Lindíssimo!
Mexeu-me demais com a emoção...
Grande abraço, querida!

ΞĐU disse...

Oi, Lídia...
Muuito bom o seu blog, suas idéias e seu bom gosto. Parabéns pelo trabalho.
Estou te seguindo.
Beijos no coração,
EDU (http://edurjedu.blogspot.com)

Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Minha querida
Um belo poema...sonho e realidade, qual dos dois...

Como pode acontecer
A saudade do que não aconteceu?
A luz do sol que não nasceu?
A carícia da brisa que não ocorreu?

Adorei

Beijinhos com carinho
Sonhadora

José Carlos Brandão disse...

Que poema lindo, Lídia. Um diálogo com o Autopsicografia, desdobrando-o, tornando-o pessoal, não pessoano, mas lidiano. O sonho e a dor, como se fôramos outros, sofrendo embora.
Beijo.

José Leite disse...

Lídia Borges.

Caminha a passos largos para ... o cume...

Espero que continue nesta senda dando-nos alegria, graça e uma torrente de emoções!

Saulo Prado disse...

Ser ou não ser é o que o poeta quer aprender!

Lindo seu texto é muito bom voltar aqui em seu mundo de inspirações...

Lago Mudo disse...

As tuas palavras esticam a percepção da realidade, estendendo as emoções como um manto que se perde no horizonte...

sonho disse...

O poeta pode tornar a dor mais intensa...mas que lhe doi...doi...
Beijo d'anjo

2edoissao5 disse...

de ilusão todos vivemos!
beijo!

José Leite disse...

Um bálsamo poético por excelencia...

Amar sem sofrer na Adolescência disse...

Querida lídia, que bom que pude voltar e me encantar com estes lindos versos. Volto outras vezes para colocar a leitura em dia.
Bjs

Cris de Souza disse...

que maravilha! ritmo impregnado de beleza.

beijo, poeta estimada.

Sofá Amarelo disse...

As saudades do futuro são as saudades que mais nos atormentam porque... é uma saudade que não chega a ser...

Gabriela Rocha Martins disse...

e acordar ,valeu a pena?

prafraseando ,de novo Pessoa ,talvez me respondas - "tudo vale a pena ,quando a alma não é pequena"

e se ela ,como a minha ,for pequena? que fazer?



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um beijo ,Lídia