domingo, 10 de outubro de 2010

Da Realidade

Que renda fez a tarde no jardim,
Que há cedros que parecem de enxoval?
Como é difícil ver o natural
Quando a hora não quer!
Ah! não digas que não ao que os teus olhos
Colham nos dias de irrealidade.
Tudo então é verdade,
Toda a rama parece
Um tecido que tece
A eternidade.

Miguel Torga, in 'Nihil Sibi'

25 comentários:

AC disse...

"Toda a rama parece
Um tecido que tece
A eternidade."

Adoro Torga! (E Eugénio, e Sophia, e...)

Beijo :)

Unknown disse...

O fim da tarde e as sombras que se espalham no jardim são muito belas. Parecem pela foto rendas de uma noiva

Jorge disse...

Os nossos olhos nunca aprendem a ver. O que não vemos é, em geral, mais importante do que aquilo que conseguimos enxergar.
Uma boa semana.
J

Rogério G.V. Pereira disse...

RÉPLICA A TORGA
A vida afectiva é a única que lhe parecia valer a pena. A outra apenas lhe servia para organizar na consciência o processo de acusação à inutilidade de tudo o resto. Foi pena, seria para mim o poeta completo...

Beijo

Unknown disse...

maravilha,


beijo

Cris de Souza disse...

Estonteante!

Agradeço o aroma que entornastes no trem.

Beijo, querida.

Cris de Souza disse...

Que isso, não há o que se desculpar, sua presença enriquece o espaço.

Flor que és.

Ana Echabe disse...

Madeira macia com pequenos nós, de toque suave seu interior, mas por fora o tempo lhe cobre a proteção de uma vida
“Como é difícil ver o natural”

Bjinhos uma semana feito lua nova a vc.

Graça Pereira disse...

Acho Torga um poeta precisamente de rendilhados.."Toda a rama parece/ um tecido que tece/ a eternidade"
Há uma certa magia bucólica neste poema e uma afinidade com o tempo que chega ao jardim...
É um dos meus poetas preferidos...de tantos que eles são...
beijo
Graça

João A. Quadrado disse...

[esse, esse homem poeta que esculpia cânticos em qualquer pedra comum... a grande palavra escreve-se em qualquer lado, e há quem diga, que até dentro do peito, como esse homem poeta]

um imenso abraço, Amiga Lídia

Leonardo B.

Ana SSK disse...

Um tecido que tece
Amortece

Dilmar Gomes disse...

Pois é, amiga; a realidade subjetiva, por vezes, encobre a própria realidade; às vezes o poeta se questiona: qual delas é a realidade?
Grande abraço, amiga.

Juliana Matos. disse...

A realidade que tece a eternidade, que perfeição!
Um beijo Lídia
JU

Rosemildo Sales Furtado disse...

Belíssimo poema do Miguel Torga. A imagem é bastante condizente e forma um par perfeito. Bela escolha amiga. Parabéns!

beijos e ótima semana pra ti e para os teu.

Furtado.

aapayés disse...

Un paso inesperado ante tu espacio, me doblego y acaricio así tu presencia escrita…

Pido disculpas por mi ausencia y por este pequeño mensaje, que publico en la mayoría de los blog que visito.

Un abrazo
Saludos fraternos a todos…

António Gallobar - Ensaios Poéticos disse...

Olá amiga Lidia Borges

Como comentar um poema tão poderoso do nosso Torga, quando as estrofes nos deixam confundidos
fazendo com que se tropece nas palavras e fico a olhar para elas tentando decifrar o enigma.

"Como é difícil ver o natural
Quando a hora não quer!"

Parabens
Beijinho

Heduardo Kiesse disse...

sem palavras para dizer algo tão real e profundo!!


um forte abraço de estima


Heduardo

Deia disse...

Querida Lídia! Quero uma colcha rendada, das mais formosas, para minha cama cobrir e sobre ela me deitar nas tardes em que a natureza ficar a contemplar!! rsrs! Que lindo! Beijocas, Deia
PS: Adorei ver o selinho ali ao lado!!

Bergilde disse...

Belo e profundo como tudo que tenho lido cada vez que venho aqui.
Abraço grande,Bergilde

Unknown disse...

A maior desgraça que pode acontecer a um artista é começar pela literatura, em vez de começar pela vida.

Miguel Torga.

Abraço.

GizeldaNog disse...

Tecer a eternidade...lindo!

Aliás desconheço alguma coisa de Torga que não seja assim.

Um belo texto, Lídia!

ana p disse...

Poeta fantastico Torga....
Beijo Lidia

José Carlos Brandão disse...

Que bonito, Lídia. Estou vendo, sendindo eternidade tecida no jardim.
Beijos.

Állyssen disse...

Lindo poema, querida... que bom passar aqui!
Venho agradecer sua visita de girassol!
Beijos n'alma!

Estou seguindo seu blog.

;* Álly

Sofá Amarelo disse...

Toda a ficção em Miguel Torga é ... realidade!