quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Meu último poema


Não quero que o meu último poema
seja triste como essas noites sem lua
ou como o céu melancólico
que abrigo dentro do peito.

Não quero que o meu último poema
seja feito desses ecos do nada
suspensos em palavras magoadas
que oscilam, aturdidas, no vento.

Meu último poema não poderá
atormentar o coração das rimas,
sufocar as palavras perplexas
no alvoroço da despedida.

Meu último poema
quero-o branco
como as asas de um anjo,
alegre como o canto das cigarras,
transparente como um rio
a desaguar no teu olhar...

Meu último poema... Um gracejo!
Uma rosa para te dar.

Lídia Borges

36 comentários:

Joaquim do Carmo disse...

Quando um "último poema" pode ser o primeiro de uma infinidade de poemas - momentos de amor!
Sorte de quem receber essa rosa!
Beijinho

Cris de Souza disse...

Até suspirei...

Belo, belo!

Beijos.

AC disse...

O último poema não é o último, é apenas o coração da poetisa preocupado com os sinais que deixa aos seus leitores, o desejo dum auspício com mais cor...
O último poema é o desejo do abraço.

Lídia, um abraço

Luiza Maciel Nogueira disse...

maravilhoso, mas tomara que ainda existam mais poemas...beijo!

Graça Pereira disse...

O "Último poema" é a sementeira
Que à terra foi deitada...
Como as folhas espalhadas no chão...
De manhã, á hora primeira
Já foi com amor levedada
E á noite transformada em pão!

O poeta não faz despedidas
Porque é ele que faz o mundo girar...
Num tempo que nunca finda!
Ele transforma todas as vidas
Apenas num único pensar
Tornando-as mais lindas, ainda!!

Beijo
Graça

ana p disse...

Muito bonito Lidia...
Bj

OutrosEncantos disse...

Ah, Lidia, quantos poemas belos vais ainda escrever até chegar ao último...
Está muito bonito, gostei muito.

Beijo.

Unknown disse...

Lindíssimo,*****

Beijo meu.

Maria P. disse...

Belíssimo!

Beijinho*

Mª João C.Martins disse...

A última rima do último poema, tem de ser o mote, para o eterno verso que é o nosso hino de vida, oferecido ao vento.

Um abraço imenso de entendimento, por esse desejo...

Dilmar Gomes disse...

Minha amiga, não, esse não será o seu último poema. Certamente, ainda fará milhões de belos poemas, tão deliciosos quanto antes.
Um grande abraço.

E.A. disse...

Lídia,
Este poema é muito bonito. Gostei imenso.
E atrevo-me a dizer que até a "noite sem lua" de que fala me pareceria muito bela, se vestida da sua poesia.
Um beijinho
Elisabete

Unknown disse...

Mais uma pérola de poema. Muito belo e com um recado transparente.
Não será certamente o último, porque muitos em último serão os primeiros do outro lado da fila.
O poema não pode ser triste nem banal.
O poema terá sempre um sorriso aberto nas asas de um anjo.

Rogério G.V. Pereira disse...

Não poeta
Não será teu último poema
Quando essa rosa receber
eu irei agradecer
"Obrigado"
Tu irás sussurrando dizer
de rosto corado:
"de nada"

... e nem mesmo esse,
será o teu último poema!

Ana SSK disse...

Ah, que não seja o último!

Ana Echabe disse...

Considerarei seu ultimo poema como considero minha ultima tela...
Quando não há mais espaço pra outra pincelada sobre aquele branco, então finda um momento inicia um silencio tranqüilo
Até que...

Bjinhos em ♪M a vc

ítalo puccini disse...

essa ideia de último poema que acho ótima. aquele que existe sem existir. e que nunca saberemos qual é, quem sabe? maravilhos, lidia!

beijos.

Rosemildo Sales Furtado disse...

Belo poema amiga. Este pode ser o último poema de uma série que se finda, para dar início à uma outra. Rsrs.

Beijos e ótima sexa-feira pra ti e para os teus.

Furtado.

Manu disse...

Olá Lídia!
Todos os poetas procuram durante a vida o poema supremo e querem que esse seja o derradeiro. Como esse poema é difícil de encontrar continuam a escrever e a escrever e a escrever. E quando o poeta morre não é o seu último poema que prevalece mas sim toda a obra que fez atrás desse último e derradeiro poema.
Beijo luso

lupuscanissignatus disse...

de peito

aberto

ao luar


[da palavra]


*um beijo,
Lídia*

Mona Lisa disse...

Olá Lígia

Magnífico como todos.

...Meu úmtimo poema...um gracejo!
Uma rosa para te dar.

Levei-a comigo.

Bjs.

manuela baptista disse...

o último poema

é sempre o primeiro!

um abraço

manuela

Anónimo disse...

Talvez seja mais difícil arrancar um sorriso do que uma lágrima... mas toda vez que te leio, sinto minha alma mais feliz...
Muito lindo... muito doce...
"...alegre como o canto das cigarras,
transparente como um rio
a desaguar no teu olhar..."
Parabéns, minha cara.
Beijokas.

CANTO GERAL DO BRASIL (e outros cantos) disse...

Lídia,
O último poema: como chegar a ele? Como sabê-lo?
Seu poema me deixou pensativo, e não foi o primeiro...

Abraço grande,
Pedro Ramúcio.

lis disse...

Só um gracejo Lídia uma forma tímida de oferecer uma flor
lindo seu último poema , está desaguando em mim.
abraços obrigada pela partilha

Maria Rodrigues disse...

Amiga, mais um poema maravilhoso, doce e terno.
"Meu último poema
quero-o branco
como as asas de um anjo,"
Tão lindo, adorei!
Tenha um sereno e feliz fim-de-semana
bjs do tamanho do inifito
Maria

Carlos Gonçalves disse...

Lidia, nunca digas nunca! Na vida, todos os dias, há entardecer, todos os dias há pôr-do-sol... mas todos os dias há um novo amanhecer, um novo nascer do sol!
Não há últimos poemas, a poesia nunca termina, é eterna!
Beijo, de muito afecto, querida Lidia.
Carlos

Lilá(s) disse...

Poemas assim nunca podem ser os ultimos serão sim os primeiros de uma grande inspiração, lindo!
Bjs

vieira calado disse...

Claro que não será o seu último poema.

Outros se seguirão, belos como este!

Saudações poéticas

Cadinho RoCo disse...

A oferta de uma rosa tem a suavidade de instante macio e perfumado.
Cadinho RoCo

By Me disse...

DEIXO UM

"POEMA"- DE MARGARIDA GUERREIRO

"QUERIA LARGAR UM POEMA AO VENTO!
DEIXÁ-LO NAVAGAR
PARA QUE ESTE PUDESSE
SER FELIZ E NUNCA
SE SENTISSE PRESO NAS
FOLHAS DE UM LIVRO...
QUE VOASSE PELA
MINHA FELICIDADE
VOASSE PROFUNDAMENTE
E FIZESSE NASCER EM MIM
UMA FOLHA DE LIBERDADE
PARA PODER ESCREVER
MAIS UM!"

POIS QUE SEJA UMA ROSA PERFUMADA DE AMANHECER...

GRATA POR ME TER COMPREENDIDO...

JB disse...

Este seu poema desaguou literalmente nos meus olhos! E que aroma aqui ficou, a rosas...

Lindíssimo Lídia!

beijinho

Teté M. Jorge disse...

Ah... Lídia... um alento vir aqui...

Que este não seja o último, mas se for... será eterno!

Beijo carinhoso.

Virgínia do Carmo disse...

Que nenhum poema seja último...

Bjos

nydia bonetti disse...

Também queria um poema assim... nem precisava ser o último. Ai... que lindo, Lídia. beijos.

Anónimo disse...

Seu poema acaricia, desde sempre!
Lindo!

Beijo.