
Acordas de um sonho mal dormido
como quem regressa enfermo
de uma viagem de mil anos
Conheces agora todas as cidades
todos os abismos e desertos
na arquitectura do teu desconcerto
Voltas sem nada
e do que deixaste
já nada te pertence
Nenhum espelho reconhece
o outro de ti
na indefinição de um rosto
onde a luz esmorece
como estrela que se apaga
caída na areia junto do mar
Refazes ainda
o desenho dos passos
nas marcas do desalento
porque o teu coração
de pés feridos e descalços
não pára de caminhar
Lídia Borges
18 comentários:
E na viagem de mil anos
Garimpagem indefinida do incerto
Se consumiram as energias do sonho acalentado.
Adorei, Lídia!
Beijo :)
Lidia
Vim agradecer a visita
deixar um beijinho e o poema que li é lindo.
Para mim sabe-me sempre bem ler poesia.
Um beijinhogrande
Sabes poeta
Não estou de regresso
apenas de passagem
nem tudo perdi
não que te tenha a ti
nem coisas
nem sonho
tenho
apenas este caminho
onde ponho
o meu andar
para o meu destino
saber lá eu
onde irá dar
Nossa, adorei seus versos. Quantas recordações e quanta bagagem trouxe na alma, esse poeta!Uma vida de sonhos e paixões, com certeza.
Beijinhos
A nossa vida é sem dúvida uma viagem.
Nascemos sem nada
Refazemos as caminhadas
Vivemos numa esperança.
[tão íngreme o caminho, como a sua busca... nunca se lhe sabe o fim, o instante seguinte afinal]
um imenso abraço,
Leonardo B.
Querida Lídia, andar mil anos é destino certo para corações de pés descalços e com feridas profundas... Um descanço, banho de salmoura, carinhos e bálsamos, e, num piscar de olhos, nosso coração estará recuperado (ou, pelo menos, é o que acredita cá a sua amiga romântica...) Beijinhos, Deia.
PS: Lídia, fiz nesse meu retorno o primeiro selinho do Rumo e ofereci-o a todos que acompanham o blog, mas, principalmente, aos que brincaram de Marco Polo comigo no post antes da partida. Quando quiser, pode buscá-lo!
Voltas sem nada
e do que deixaste
já nada te pertence
Nenhum espelho reconhece
o outro de ti
Mudança realmente radical. Muito profundo.
Beijos e ótima semana pra ti e para os teus.
Furtado.
Vida consumida.
Exaurida.
Muito bom.
Lídia, quantas vezes fazemos viagens assim...
Nada nos pertence! Como bem disses, apenas passos e coração que não para de caminhar... talvez entre as incertezas e bifurcações dos caminhos.
Lindo poema, menina
Beijosssssss
No acordar de qualquer sonho ou viagem, nenhum espelho reconhece o outro de nós, simplesmente porque não somos exactamente o que já fomos, apesar de não nos deixarmos de sentir lá dentro.
E continuamos sempre, com este coração que não pára, na descoberta do que realmente nos define.
Sabes Lídia, quando te leio, descobro mais um bocadinho...
O meu abraço
Coração a tropeçar nas "pedras" do caminho sem descanso nem certezas...que somos caminheiros de nós até à descoberta de um destino que não seja "fado"...
Obrigada Lidia
Um beijo
Olá Lídia, gostei muito deste poema, embora nos mostre a dura realidade de uma não menos dura travessia no deserto em que a nossa vida por vezes se transforma.
Beijo e boa semana
Intenso!
:)
Nossa, tão bem escrito! Muito bom, Lídia!
Beijo.
Lindos versos os seus! Parabéns pelo blog!
Abs
est[r]ela
que nos
alumia
[brilhante
poema]
De vez em quando, quando a disponibilidade me ajuda, volto a este blogue.
Hoje depois de rever todos as postagens de Setº e Outº, encontrei um que define bem "os meus passos".
Mesmo sem autorização prévia, resolvi inseri-lo no meu blogue, com a devida ligação para o original. Espero que não veja qualquer inconveniente. Caso haja qualque impedimento, faça o favor de me informar pela mesma via que o retirarei de imediato.
Com toda a consideração.
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