segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Regresso


Acordas de um sonho mal dormido
como quem regressa enfermo
de uma viagem de mil anos

Conheces agora todas as cidades
todos os abismos e desertos
na arquitectura do teu desconcerto

Voltas sem nada
e do que deixaste
já nada te pertence
Nenhum espelho reconhece
o outro de ti
na indefinição de um rosto
onde a luz esmorece
como estrela que se apaga
caída na areia junto do mar

Refazes ainda
o desenho dos passos
nas marcas do desalento
porque o teu coração
de pés feridos e descalços
não pára de caminhar

Lídia Borges

18 comentários:

AC disse...

E na viagem de mil anos
Garimpagem indefinida do incerto
Se consumiram as energias do sonho acalentado.

Adorei, Lídia!

Beijo :)

AFRICA EM POESIA disse...

Lidia
Vim agradecer a visita
deixar um beijinho e o poema que li é lindo.
Para mim sabe-me sempre bem ler poesia.


Um beijinhogrande

Rogério G.V. Pereira disse...

Sabes poeta
Não estou de regresso
apenas de passagem
nem tudo perdi
não que te tenha a ti
nem coisas
nem sonho
tenho
apenas este caminho
onde ponho
o meu andar
para o meu destino
saber lá eu
onde irá dar

piedadevieira disse...

Nossa, adorei seus versos. Quantas recordações e quanta bagagem trouxe na alma, esse poeta!Uma vida de sonhos e paixões, com certeza.
Beijinhos

Unknown disse...

A nossa vida é sem dúvida uma viagem.
Nascemos sem nada
Refazemos as caminhadas
Vivemos numa esperança.

João A. Quadrado disse...

[tão íngreme o caminho, como a sua busca... nunca se lhe sabe o fim, o instante seguinte afinal]

um imenso abraço,

Leonardo B.

Deia disse...

Querida Lídia, andar mil anos é destino certo para corações de pés descalços e com feridas profundas... Um descanço, banho de salmoura, carinhos e bálsamos, e, num piscar de olhos, nosso coração estará recuperado (ou, pelo menos, é o que acredita cá a sua amiga romântica...) Beijinhos, Deia.
PS: Lídia, fiz nesse meu retorno o primeiro selinho do Rumo e ofereci-o a todos que acompanham o blog, mas, principalmente, aos que brincaram de Marco Polo comigo no post antes da partida. Quando quiser, pode buscá-lo!

Rosemildo Sales Furtado disse...

Voltas sem nada
e do que deixaste
já nada te pertence
Nenhum espelho reconhece
o outro de ti

Mudança realmente radical. Muito profundo.

Beijos e ótima semana pra ti e para os teus.

Furtado.

angela disse...

Vida consumida.
Exaurida.
Muito bom.

Penélope disse...

Lídia, quantas vezes fazemos viagens assim...
Nada nos pertence! Como bem disses, apenas passos e coração que não para de caminhar... talvez entre as incertezas e bifurcações dos caminhos.
Lindo poema, menina
Beijosssssss

Mª João C.Martins disse...

No acordar de qualquer sonho ou viagem, nenhum espelho reconhece o outro de nós, simplesmente porque não somos exactamente o que já fomos, apesar de não nos deixarmos de sentir lá dentro.
E continuamos sempre, com este coração que não pára, na descoberta do que realmente nos define.

Sabes Lídia, quando te leio, descobro mais um bocadinho...

O meu abraço

Ana Oliveira disse...

Coração a tropeçar nas "pedras" do caminho sem descanso nem certezas...que somos caminheiros de nós até à descoberta de um destino que não seja "fado"...

Obrigada Lidia

Um beijo

Carmo disse...

Olá Lídia, gostei muito deste poema, embora nos mostre a dura realidade de uma não menos dura travessia no deserto em que a nossa vida por vezes se transforma.
Beijo e boa semana

Anónimo disse...

Intenso!

:)

Anónimo disse...

Nossa, tão bem escrito! Muito bom, Lídia!

Beijo.

Olívia Comparato disse...

Lindos versos os seus! Parabéns pelo blog!
Abs

lupuscanissignatus disse...

est[r]ela

que nos

alumia


[brilhante
poema]

Unknown disse...

De vez em quando, quando a disponibilidade me ajuda, volto a este blogue.
Hoje depois de rever todos as postagens de Setº e Outº, encontrei um que define bem "os meus passos".
Mesmo sem autorização prévia, resolvi inseri-lo no meu blogue, com a devida ligação para o original. Espero que não veja qualquer inconveniente. Caso haja qualque impedimento, faça o favor de me informar pela mesma via que o retirarei de imediato.
Com toda a consideração.