sábado, 27 de novembro de 2010

"Green God"

Hoje revisitei Eugénio de Andrade. De quando em vez preciso dele, de lhe “roubar” um pouco do verde que lhe sobra e a mim, falta.



Trazia consigo a graça
das fontes quando anoitece.
Era um corpo como um rio
em sereno desafio
com as margens quando desce.

Andava como quem passa
sem ter tempo de parar.
Ervas nasciam dos passos,
cresciam troncos dos braços
quando os erguia no ar.

Sorria como quem dança.
E desfolhava ao dançar
o corpo, que lhe tremia
num ritmo que ele sabia
que os deuses devem usar.

E seguia o seu caminho,
porque era um deus que passava.
Alheio a tudo o que via,
enleado na melodia
duma flauta que tocava.

in "Poesia"
de Eugénio de Andrade

Este “deus verde” é divino ou humano?
Ritmo e dança, um andar no meio das coisas fazendo parte delas, pertencendo às próprias coisas. As coisas que estão dentro dele.
Capacidade de fazer expandir a vida, tornando o mundo maior.

17 comentários:

Dilmar Gomes disse...

Minha amgia, que coisa linda esse poema. Grande Eugénio. Você, amante da boa poesia está de parabéns.
Um grande abraço.

Rogério G.V. Pereira disse...

Capacidade de fazer expandir a vida,
tornando o mundo maior.
Por vezes mais denso
Por vezes menos verde
Será que lhe pertenço
Para além desta sede
de o sentir poema?

Unknown disse...

verde nunca é demais, que te quero verde

beijo

dade amorim disse...

Quanto ritmo, quanto verde!
Precisamos disso.

Beijo, Lídia

Teté M. Jorge disse...

Verde sempre... lindo verde!

Bom domingo.

Beijos.

angela disse...

Lindo poema.
Verde que cria vida.
beijos

marinaCqm disse...

Lindíssimo.

Divino!

Unknown disse...

Mais um poema que apetece saborear lentamente.
As palavras saiem com uma cadência crescente e as rimas perdidas dão-lhe um novo sabor.

Unknown disse...

Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa,ficar
nu dentro daquele sorriso.

Eugênio de Andrade


Beijinho

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

"Andava como quem passa
sem ter tempo de parar"
versos maravilhosos

Rosemildo Sales Furtado disse...

Grande Eugénio de Andrade. Fizeste uma ótima escolha. Belo poema, com ênfase para a estrofe abaixo:

Elas esperam que os lábios
se entreabram
para uma palavra de amor.
Mas as palavras têm sete saias
e nenhum pudor.

Beijos e ótima semana pra ti e para os teus.

Furtado.

Sempre disse...

Adorei este verde "esperança" em plena simbiose com o "futuro" musical.

Ana SSK disse...

Sem ter tempo de parar.
Paremos!

ítalo puccini disse...

maravilhoso esse caminhar que é também do leitor ao sentir o poema.

gostei muito!

beijos.

António Gallobar - Ensaios Poéticos disse...

Olá amiga Lidia

Parabens pela excelente escolha, é sempre com grande emoção que se lê Eugenio de Andrade.

Adorei, beijinho

Lectores Inquietos Poemas 웃ღ웃 disse...

Hola amiga bello canto armonico
en tu poesia entre el vuelo de
las sensaciones mas naturales
entre fragancias de libertad....

Un sincero abrazo besos humildes
que tengas un feliz dia...

Cris Cerqueira disse...

Belo verde a me encher de lembranças do lugar onde cresci... Um cheiro, amiga.