segunda-feira, 18 de maio de 2026

Espero pelo verão como se esperasse por ti

 


Espero pelo verão como se esperasse por ti

e esperam por mim intangíveis palavras,

granjeando no seio do húmus o poema que há de ser.

 

Por vezes, o mundo afasta-se, afasta-se desmesuradamente.

Faz-se então urgente inventar, à volta do que sou,

um paraíso de gostar tanto que é quase só poesia.

Poesia e consentimento.

 

Creio que por vezes usei excessivas palavras de tanto as querer

Ser e Mundo, em perpétuo movimento.

Esqueci em demasia o amor, no seu estado mais concreto e absoluto,   

real e tocável como uma maçã deixada sobre a mesa da cozinha.

 

Quando chegar o verão, haverá reminiscências tão concretas e absolutas

como frutos maduros, penduradas nas árvores?


Lídia Borges (18/05/2026)

(Imagem: fragmento de uma tela a óleo, de minha autoria.)