Espero pelo verão como se esperasse por ti
e esperam por mim intangíveis palavras,
granjeando no seio do húmus o poema que há de ser.
Por vezes, o mundo afasta-se, afasta-se desmesuradamente.
Faz-se então urgente inventar, à volta do que sou,
um paraíso de gostar tanto que é quase só poesia.
Poesia e consentimento.
Creio que por vezes usei excessivas palavras de tanto as
querer
Ser e Mundo, em perpétuo movimento.
Esqueci em demasia o amor, no seu estado mais concreto e
absoluto,
real e tocável como uma maçã deixada sobre a mesa da cozinha.
Quando chegar o verão, haverá reminiscências tão concretas e absolutas
como frutos maduros, penduradas nas árvores?
Lídia Borges (18/05/2026)
(Imagem: fragmento de uma tela a óleo, de minha autoria.)
