
Minhas lembranças são pássaros
Mas quem voa é o céu no traçado do verbo
Que me leva mais além, junto à raiz.
Ah! Pudesse eu perceber a língua da terra
Habitá-la-ia antes do tempo nascido
Antes desse nada aparente
que respira, germina e por isso é tudo
Fonte sem mácula, ventre
Audácia da seiva, sangue e vida
Caule na intenção da folha
Flor na intenção do fruto
E fruto genuíno
Maduro e completo
Ah! Pudesse eu perceber a língua da terra
E morreria sabiamente, sem agonizar
Para despertar na insipiência de um tempo novo.
E de novo raiz, caule, inocência…
E as minhas lembranças
Pássaros a voar
Eles próprios no domínio pleno das asas.
Lídia Borges
24 comentários:
Lembranças voam, sentimentos voam, pensamentos voam....palavras fazem voar...
Esta frase gostei muito - Mas quem voa é o céu no traçado do verbo.
beijo
CONTRADITÓRIO
Ah! poeta como te engana esse voar
Não adianta perceber a língua da terra
se a terra é surda, cega e muda
Quanto a morrer sem agonizar
é morrer assim, tal como fazemos
lentamente
como quem a morte não sente
Para despertar um tempo novo
é necessária a dor de o parir
e não a procura indolor de partir
Olá amiga Lídia. Que lindo este teu poema! Gostei muito.
Um grande abraço.
Precisamos ouvir muito ainda a natureza antes de, no mínimo, entender sua língua.
Belo poema!
Beijo!
Voe Lídia.
Voe alto. Sempre!
Bj
quem tem asas pode se exercitar no horizonte,
beijo
Da terra, a essência do príncipio, o verbo, o canto, o hino e o ninho de todos os pássaros em voo.
Este é um poema para reter muito para além das pálpebras!
A minha admiração, como sempre, é enorme.
Um beijinho, Lídia
LIDIA
Lindo o seu poema...
Deixo um pouco da minha ria...
RIA
Ria de Aveiro
Tão pouco te tenho cantado
Tão pouco te tenho escrito
E tu Ria...
Cheia de beleza
Cheia de canais
Com águas azuis e belas
Vais esperando que te cante
Que fale ao mundo
Da tua beleza sem fim
Dos teus barcos moliceiros
Coloridos e acolhedores
Do teu Rossio...
Da tua gente...
E da tua beleza...
Linda Ria de Aveiro.
LILI LARANJo
O que as lembranças voam são a língua que a terra aprende. Fundem-se a ela. Teu pássaros são a língua da terra, ainda que busque mais, e mais, e mais... Belíssimo poema. Abraço!
E no poema "domínio pleno" da palavra...como habitualmente.
Bjs
Um registo diferente com imagens semelhantes e ainda o desconcerto dos pássaros, num poema que não sei se viu a luz do dia:
DISPOSIÇÕES GERAIS
Não tenho ainda definido o sítio para morrer
tranquilo
nem médico legista que aconselhe
uma autópsia digna desse nome
os meus receios são balas
que confundo com a migração dos pássaros
os pequenos azares
que magoam como golpes incicatrizáveis
por desejo inconsequente
quis ser insecto
mais tarde ou mais cedo acaba por acontecer a todos
a quem a força da gravidade apenas deixa soltos
os miolos
uma ou outra apólice de acidentes pessoais
e não tem ainda definido o sítio para morrer
tranquilo
Beijinho
João
Olá Lídia
A tua poesia tem asas.
Voa com ela!
Bjs.
Os pássaros em seu livre voar ensinam como devemos olhar para as coisas do mundo!
Todos temos asas, porém apenas muito poucos ousam alçar o primeiro voo!...
Beijos,
AL
Minha querida
Um poema muito forte...arrancado de dentro da terra...envolto nas lembranças...voando no infinito.
Como sempre adorei...gosto muito do que escreves.
Beijinho com carinho
Sonhadora
Pudesse eu...
Ah, Lídia, como eu gosto do seu poetizar...!
Hoje deixo-lhe um abraço
voo
que
nos
circula
[adentro]
*beijo*
Amiga, um poema que nos fez voar também. Excelente como sempre.
Bom fim de semana.
Beijinhos
Maria
Lídia,
pudesse eu ser asa, voar além do tempo e cortar as rotas da razão.
bj
Lembranças que não te prende mas que te daõ liberdade de poder lembrar...
Lindo, Lídia!!!
Beijinhos
Ah! Fosse eu capaz de "voar" assim!
"Ah! Pudesse eu perceber a língua da terra
E morreria sabiamente, sem agonizar
Para despertar na insipiência de um tempo novo."
Pudéssemos nós, estimada Lídia, ter a sabedoria das aves que descortinam os sons mais ínfimos e os cheiros das terras mareadas
e
volveríamos a cada voo, como volta, da noite, a madrugada...
Que bom é lê-la, Lídia.
Bem-haja
Gratidão
Mel
Nessa liberdade
as mãos contornam
as lembranças
que o poeta alcança
junto a raiz
Um beijo!
PS:Só hoje, após várias tentativas, consegui com atualizaçaõ do meu navegador de internet
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Agradeço a tua visita carinhosa ,fiquei feliz!!!
Voar voo eu nesta linda poesia!
Bjs
A língua da terra
de tão pura e completa
é limpa de palavras.
Um beijo, Lídia.
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