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Cansado, recostara-se no momento como se todo o tempo morresse nele.Uma letargia apoderava-se progressivamente de cada músculo do seu corpo e o sangue aconchegava-se, lento, nas veias.
Tinha a sensação de vaguear nas margens da não existência, como se tivesse ingerido a morte num trago sem permitir que ela lhe tocasse com as suas mãos gélidas e ossudas.
Evitou o vácuo do abismo absurdo sob os seus pés mesmo no derradeiro instante. Estremeceu…
Era domingo. Para lá do vidro, a luz recortava sombras dançantes no pátio. O gato dormia enrolado sobre si ao sol...
Num sopro, o vento varreu as penas do pesadelo que haviam ficado a pairar soltas, entre a dor e a lágrima que a realidade declinava.
Lídia Borges
23 comentários:
Olá amiga Lídia. Muito bom o teu texto.
Um grande abraço.
EM DIA FUERTE, TE LER,ALMA MINHA REFRESCOU E ELEVOU, ANGÉLICOS EM ESQUADRILHA,BRAÇADAS DE GIRASSOIS TE LEVAM,PARA ORNAMENTAR CASA TUA,E OS QUEM MAIS AMAS!
BZU MÃOS SUA,SENHORA QUERIDA E CARÍSSIMA
VIVA LA VIDA
Todos os seus trabalhos são belos e não o digo por dizer. Gosto de os ler. Sinto-os tão familiares e vivos que me parece fazer parte dos mesmos.
A última viagem, num sopro de abandono.
Uma conjugação perfeita de palavras e emoções. Adorei!
beijinhos
Lidia
Lindo cada vez que te leio sinto uma certa calma. "entre a dor e a lágrima que a realidade declinava" frase, que mexe demais comigo. Obrigado Lidia.
Beijinho
Minha querida
Um texto para reflectir...sonho ou realidade...de todos nós um dia.
Beijinhos
Sonhadora
RÉPLICA
Excitado, empertigara-se no momento como se todo o tempo dependesse dele.
Uma estranha energia apoderava-se progressivamente de cada músculo do seu corpo e o sangue fervilhava-lhe, ágil, nas veias.
Tinha a sensação de velejar nas vagas revoltas da existência, como se tivesse ingerido a vida num trago sem permitir que ela lhe tocasse com as suas mãos quentes e vigorosas.
Fintou o vácuo de todos os abismos que lhe colocaram sob os seus pés mesmo no derradeiro instante. Estremeceu de júbilo…
Era domingo. Para lá do vidro, a luz recortava novas cores reflectidas no pátio. O gato acordou desenrolando de si um sol que em tempos o adormecera
Num sopro, o vento varreu as últimas penas dos pesadelos que ainda haviam sobrado a pairar soltas e, entre o grito de vitória e o sorriso de vencedor, renasceu a realidade ansiada...
sem aviso
Obrigado Lídia por escrever o que tantos de nós sentimos.
Beijinhos
Lidia hola amiga...
lindo texto con seu toque personall muito proprio de vc.. lindo
saludos
otima semana
abracos
Por vezes sentimo-nos assim à beira de a tudo renunciar. É o caminho mais fácil!
Sorte que o vento, no seu constante rodopiar, nos varre as penas do pesadelo transportando-nos à realidade.
Beijos
O desalento frio que, a espaços, nos cinge a alma.
É um gosto lê-la.
Entre a dor e a lágrima, sendo filhas da mesma angústia, do mesmo desejo de evasão, não creio que esta realidade as decline.
Deixemos que o sonho permita ao sopro serenar as penas. Apenas isso. Um dia destes, se tudo correr bem, é primavera.
Beijinho
João
neste trajeto se unem céu e chão,
beijo
As viagens interiores são encontros e desencontros que se cruzam na floresta dos sonhos que se alimentam da vida, acordados ou a dormir. No fundo são a percepção do que desejamos e do que lançamos às cavernas do tempo.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Lisboa, 04/02/2011
É preciso acreditar
no sopro do vento
Para reler
a melancolia tem cor, tem forma, tem dizer? definitivamente, sim. mesmo que em tons de domingo.
beijinho!
Olá Lídia!
Que letras mais lindas, profundas e reflexivas... Palavras espiritualizada com essência que se faz crer...
Lindo!
Bjs
Livinha
Um canto triste e extremamente belo. De um lirismo comovente. Viagens, fazê-las é inevitável, atalho predestinado do existir.
Abraços!
Lídia!
A rainha da nossa perplexidade, que torna o presente tão importante , o amor tão urgente, a bondade tão necessária, a ética tão essencial, a arte tão fundamental- ela, a Senhora Morte, devia, por inevitável,nos tornar muito melhores do que somos.
Um poema com a precisão de um bisturi, Maravilhoso!
Um beijo!
Lídia
No declinar da lágrima, há um tempo que morre de cansaço e outro que nos ampara.
Entre os dois, salva-nos a esperança de cada viagem. Porque o sol volta sempre a nascer, depois de, no horizonte, parecer ter morrido.
Um enorme abraço e sempre a minha admiração pela forma como escreves!!
A intimidade do silêncio
é algo fabuloso
...
carinhoso abraço.
Já tinha saudades de vir aqui:)
São sempre um prazer estas leituras.
Beijinho*
Olá Lídia
Um belo texto para reflectir. "O sopro do vento", que pode trazer mudanças (boas).
Um beijo
Boa semana
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