
Já nada falta no incêndio da hora
Tudo é excesso, lixo
vozes inúteis, acesas, fúteis
Imperfeição, dispersão, folclore
A palavra dança em transe, louca
É tanta. Tomara-a pouca.
Não me falem do mar, da espuma
dos barcos à minha porta
Não me ditem fervores
Louvores ou desamores
Frugais são agora os intentos de luar
Para me resgatar
A ordem é expirar
Nas cidades, na ira, no lamento
Irreversivelmente, isento
surdo, cego e mudo
no cerne do desassossego…
Rastilho ardente, fervente
Absinto…
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I
N
T
O
...
Lídia Borges
28 comentários:
Cara Lídia, gosto de iniciar o meu dia lendo o teu sentimento.
Abraço apertado!
DEPURAÇÃO
Chamemos-lhe então delíquio,
água de mistura, dissolvente,
ácido mais base, como princípio,
veneno decantado ou aguardente.
BEIJINHO
jOÃO
Deveria ter descoberto esse blog a mais tempo =)
Como diz minha avó: "Tudo que é demais, sobra"
Adorei.
Intensa e linda poesia!um beijo,tudo de bom,chica
quando nada falta, espraia-se o muito
beijo
Tão verdadeiras as suas palavras... como me identifico! É tudo, simplesmente tudo, em excesso... simplesmente demais...Também gostei do David Fonseca :) Beijo
Num grito, hirto, quase mito. Surdo, cego e mudo. Em excessos seguidos, sentidos, oprimidos. Sinto. Beijinhos ;)
RÉPLICA
Poeta
Dizes que já nada falta no incêndio da hora
Tudo é excesso, lixo
Mas te digo
Nem todas as vozes são inúteis,falsas ou fúteis
Há vozes acesas que se destacam
Na dominante imperfeição, dispersão, folclore
Há palavras em dança em transe, loucas
São as necessárias, contudo poucas
Fala-me do mar, da vaga
e não dessa espuma que não se apaga
desses barcos à nossa porta
Não me lembres fervores ditados
Nem louvores ou desamores
Fala-me de outro luar
Não de resgate mas de um salvar
A ordem passará a ser outra
Nas cidades, da revolta, sem lamento
Antes grito enorme, isento e duro
Nada surdo, nada cego e nada mudo
no cerne do desassossego…
Rastilho ardente, fervente
Absinto…
S
I
N
T
O
Sinto como tu, poeta
Apenas acrescento a palavra
Que se pretende liberta
É a partir dos excessos que às vezes se arrepia caminho.
Beijo
Um poema que desnuda realidades que nem o absinto consegue ocultar!
Um belo poema, bem ao teu estilo Lidia!
Beijos,
AL
Há momentos que as coisas pesam tanto... As palavras precisam ser leves. Vc o consegue aqui!
Beijo.
O absinto do lamento é irreversivelmente rastilho ardente onde a palavra dança em transe...
lídia,
já me tenho posto diante do espelho procurando avaliar o peso excessivo de tudo quanto me toca; concluí que estou demasiado magro...
beijinho!
eu sei, Lídia, eu sei que sou o próprio excesso, mas deixa-me dizer-te, não lembro quantas vezes lá li este teu poema..., tão cheio de verdades.
digo-te apenas, adorei!
um beijo.
O mais é menos...genial este texto. Adorei o final.
Beijinho
Excesso de sentir é mal e dom do verdadeiro poeta. E colocar esse sentir em versos transforma a latência poética em poesia. Muito, muito belo.
Beijos
Brutal - como o momento.
Muito bom. Este, quase como o outro (ab)sente-se...
Beijos
AMIGA
100 000visitas
Tnho festa no meu blog
tenho selo para ti
Um beijo
Querida amiga Lídia, és uma poetisa portuguesa com certeza. Tu trabalhas bem a palavra.
Um grande abraço.
Minha querida
Em cada palavra um grito...em cada grito um lamento...em cada rima uma verdade.
deixo um beijinho
Sonhadora
É necessário dizer do mar
desgrenhado
a rasgar caminhos contra as marés
porque não basta ter razão
.
.
. sinto.me aqui um e.terno aprendiz .
.
. repetente por anos.a.fio .
.
. por.que do vazio do des.tempo de agora solta.se um grito tão poético quanto perfeito .
.
. dizer mais não é urgente . é latente .
.
. gosto tanto . tanto . tanto .
.
. um beijo meu .
.
.
Lindo, Lidia!
Desabafo bem urdido...
Demais!
Abraço, querida.
Olá Lídia !
Esperarei que a tempestade passe.
Então, falar-lhe-ei outra vez em águas mansas, em flores, em searas...
Um beijo paciente e esperançoso.
Espero por si !
Magnífico grito!
Abraço.
" A ordem é expirar", porque o ruído nos sufoca, e tudo o que será preciso, é înspirar silêncio, para ouvir bulir o vento na pele, enquanto reerguemos os braços, há tanto tempo inertes.
Eloquente, para além de belo!
Um beijinho, Lídia
Adorei a forma como te excedestes. Lindo
Beijo
BF
Magnifica poesia, magnifico poema, sentir enorme. Adorei!
abraço
oa.s
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