terça-feira, 12 de abril de 2011

Excesso


Já nada falta no incêndio da hora
Tudo é excesso, lixo
vozes inúteis, acesas, fúteis
Imperfeição, dispersão, folclore
A palavra dança em transe, louca
É tanta. Tomara-a pouca.
Não me falem do mar, da espuma
dos barcos à minha porta
Não me ditem fervores
Louvores ou desamores
Frugais são agora os intentos de luar
Para me resgatar
A ordem é expirar
Nas cidades, na ira, no lamento
Irreversivelmente, isento
surdo, cego e mudo
no cerne do desassossego…
Rastilho ardente, fervente
Absinto…
S
I
N
T
O
...
Lídia Borges

28 comentários:

ANGELICA LINS disse...

Cara Lídia, gosto de iniciar o meu dia lendo o teu sentimento.

Abraço apertado!

João de Sousa Teixeira disse...

DEPURAÇÃO

Chamemos-lhe então delíquio,
água de mistura, dissolvente,
ácido mais base, como princípio,
veneno decantado ou aguardente.

BEIJINHO
jOÃO

Mateus Medina disse...

Deveria ter descoberto esse blog a mais tempo =)

Como diz minha avó: "Tudo que é demais, sobra"

Adorei.

chica disse...

Intensa e linda poesia!um beijo,tudo de bom,chica

Unknown disse...

quando nada falta, espraia-se o muito


beijo

Eva Gonçalves disse...

Tão verdadeiras as suas palavras... como me identifico! É tudo, simplesmente tudo, em excesso... simplesmente demais...Também gostei do David Fonseca :) Beijo

Sempre disse...

Num grito, hirto, quase mito. Surdo, cego e mudo. Em excessos seguidos, sentidos, oprimidos. Sinto. Beijinhos ;)

Rogério G.V. Pereira disse...

RÉPLICA

Poeta
Dizes que já nada falta no incêndio da hora
Tudo é excesso, lixo
Mas te digo
Nem todas as vozes são inúteis,falsas ou fúteis
Há vozes acesas que se destacam
Na dominante imperfeição, dispersão, folclore
Há palavras em dança em transe, loucas
São as necessárias, contudo poucas
Fala-me do mar, da vaga
e não dessa espuma que não se apaga
desses barcos à nossa porta
Não me lembres fervores ditados
Nem louvores ou desamores
Fala-me de outro luar
Não de resgate mas de um salvar
A ordem passará a ser outra
Nas cidades, da revolta, sem lamento
Antes grito enorme, isento e duro
Nada surdo, nada cego e nada mudo
no cerne do desassossego…
Rastilho ardente, fervente
Absinto…
S
I
N
T
O
Sinto como tu, poeta
Apenas acrescento a palavra
Que se pretende liberta

AC disse...

É a partir dos excessos que às vezes se arrepia caminho.

Beijo

A.S. disse...

Um poema que desnuda realidades que nem o absinto consegue ocultar!
Um belo poema, bem ao teu estilo Lidia!

Beijos,
AL

Anónimo disse...

Há momentos que as coisas pesam tanto... As palavras precisam ser leves. Vc o consegue aqui!

Beijo.

Sofá Amarelo disse...

O absinto do lamento é irreversivelmente rastilho ardente onde a palavra dança em transe...

Jorge Pimenta disse...

lídia,
já me tenho posto diante do espelho procurando avaliar o peso excessivo de tudo quanto me toca; concluí que estou demasiado magro...
beijinho!

MeuSom disse...

eu sei, Lídia, eu sei que sou o próprio excesso, mas deixa-me dizer-te, não lembro quantas vezes lá li este teu poema..., tão cheio de verdades.
digo-te apenas, adorei!

um beijo.

Sandra Subtil disse...

O mais é menos...genial este texto. Adorei o final.
Beijinho

Celso Mendes disse...

Excesso de sentir é mal e dom do verdadeiro poeta. E colocar esse sentir em versos transforma a latência poética em poesia. Muito, muito belo.

Beijos

Graça Sampaio disse...

Brutal - como o momento.
Muito bom. Este, quase como o outro (ab)sente-se...
Beijos

AFRICA EM POESIA disse...

AMIGA

100 000visitas

Tnho festa no meu blog
tenho selo para ti

Um beijo

Dilmar Gomes disse...

Querida amiga Lídia, és uma poetisa portuguesa com certeza. Tu trabalhas bem a palavra.
Um grande abraço.

Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Minha querida

Em cada palavra um grito...em cada grito um lamento...em cada rima uma verdade.

deixo um beijinho
Sonhadora

Mar Arável disse...

É necessário dizer do mar

desgrenhado

a rasgar caminhos contra as marés

porque não basta ter razão

. intemporal . disse...

.

.

. sinto.me aqui um e.terno aprendiz .

.

. repetente por anos.a.fio .

.

. por.que do vazio do des.tempo de agora solta.se um grito tão poético quanto perfeito .

.

. dizer mais não é urgente . é latente .

.

. gosto tanto . tanto . tanto .

.

. um beijo meu .

.

.

Zélia Guardiano disse...

Lindo, Lidia!
Desabafo bem urdido...
Demais!
Abraço, querida.

Maria Campos disse...

Olá Lídia !

Esperarei que a tempestade passe.
Então, falar-lhe-ei outra vez em águas mansas, em flores, em searas...

Um beijo paciente e esperançoso.
Espero por si !

P. P. disse...

Magnífico grito!

Abraço.

Mª João C.Martins disse...

" A ordem é expirar", porque o ruído nos sufoca, e tudo o que será preciso, é înspirar silêncio, para ouvir bulir o vento na pele, enquanto reerguemos os braços, há tanto tempo inertes.

Eloquente, para além de belo!

Um beijinho, Lídia

BF disse...

Adorei a forma como te excedestes. Lindo

Beijo
BF

OceanoAzul.Sonhos disse...

Magnifica poesia, magnifico poema, sentir enorme. Adorei!
abraço
oa.s