Em Poemas Possiveis, José Saramago diz assim: Poema à boca fechada
Não direi: Que o silêncio me sufoca e amordaça. Calado estou, calado ficarei, Pois que a língua que falo é de outra raça.
Palavras consumidas se acumulam, Se represam, cisterna de águas mortas, Ácidas mágoas em limos transformadas, Vaza de fundo em que há raízes tortas.
Não direi: Que nem sequer o esforço de as dizer merecem, Palavras que não digam quanto sei Neste retiro em que me não conhecem.
Nem só lodos se arrastam, nem só lamas, Nem só animais bóiam, mortos, medos, Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam No negro poço de onde sobem dedos.
Só direi, Crispadamente recolhido e mudo, Que quem se cala quando me calei Não poderá morrer sem dizer tudo.
Que propósito haverá no esquecimento, minha amiga? Talvez o mergulho nas águas inaudíveis de um papel seja a serena busca do verso... ou, quiçá, o movimento íntimo - a luz - a crescer das água em negação do que queremos submerso.
Tão belo o momento em que a leio, Lídia. Bem-haja Mel
Ser palhaço... É ser gente... E é saber... Rir... Quando apetece... Chorar... Ser palhaço... Muitas vezes... É vida... Muito dorida... Mas... O palhaço... Pinta a cara... Faz palhaçadas... Faz rir... E ao ver... A alegria... Dos outros... Também ele... Se sente feliz... E acaba por... Deixar de chorar!...
A vida é feita de momentos... E estar aqui está sendo um momento especial... Voltarei sempre que puder... Se quiser, dá uma passadinha no meu também... Quem sabe não gosta e fica.... E com certeza retribuirei a gentileza.
é esse verso preso do lado de fora de um poema, que navegando lentamente no silêncio, acaba por ser a nossa melhor semente, a provar que não existe esquecimento, apenas espera...
27 comentários:
Um bonito poema,
sem dúvida!
Bjjss
E fica, certamente, a beleza desses seus versos...
beijos.
Mas como?
Pois não é
o orvalho
a lágrima límpida
do poeta
tocando a pétala
esquecida?
essa dualidade memória/esquecimento. que nos acompanha. versos muito bons!
abraços
A memória é um barco lento e vai deixando marcas na passagem do tempo.
São essas gotas de orvalho que fazem belos poemas como este.
Em Poemas Possiveis, José Saramago diz assim:
Poema à boca fechada
Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.
Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.
Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.
Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.
Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.
Beijinho
João
O esquecimento perde e a memória transforma.
Beijo
J
Que propósito haverá no esquecimento, minha amiga?
Talvez o mergulho nas águas inaudíveis de um papel seja a serena busca do verso... ou, quiçá, o movimento íntimo - a luz - a crescer das água em negação do que queremos submerso.
Tão belo o momento em que a leio, Lídia.
Bem-haja
Mel
PS: Gratidão pelas suas visitas, sempre!
Essa eterna desconfiança de nós mesmos.
beijos
Por vezes fica... a palavra não dita.
Para que quem lê... também possa sonhar.
Tudo de bom para si,
Até mesmo o esquecimento parece ter o seu propósito... mas, como dizes... as vezes.
Quem parte leva saudades, quem fica saudades tem .
Beijo.
às vezes, às vezes
também sinto assim,
beijo
Lídia
Um beijinho
SER PALHAÇO
Ser palhaço...
É ser gente...
E é saber...
Rir...
Quando apetece...
Chorar...
Ser palhaço...
Muitas vezes...
É vida...
Muito dorida...
Mas...
O palhaço...
Pinta a cara...
Faz palhaçadas...
Faz rir...
E ao ver...
A alegria...
Dos outros...
Também ele...
Se sente feliz...
E acaba por...
Deixar de chorar!...
LILI LARANJO
Lídia
Lindo este teu poema, muitas das vezes não no esquecimento, mas ficam sempre palavras que nunca são ditas.
Beijino
A memória - essa senhora que muitas vezes nos prega grandes peças... basta apenas essa gota de orvalho.
Lindo, minha amiga!
Beijinhos
Tão bom, qdo as palavras rolam fáceis...
às vezes e sempre o espanto. Que belo poema!
Um beijo.
A memória, essa que nos faz cativo o pensamento e nos impede o esquecimento. É de espanto. Um beijinho ;)
"Porque o sonho de todo amor, se não puder ser eterno, é ser assim: inesquecível."
(Vinícius de Moraes)
entre amigos, encontrei seu blog...e quanto bom gosto!
Sigo-te encantada!
Grande abraço!
Mas pela certa fica sempre um suave poema!
Bjs
Talvez seja a sensação de que fica sempre algo por dizer. É por isso que o caudal da poesia é ininterrupto, as águas trazem sempre algo que contar...
Beijo :)
Um abraço , e obrigada pela visita.
Gostei desta seara de versos...
tulipa
A vida é feita de momentos...
E estar aqui está sendo um momento especial...
Voltarei sempre que puder...
Se quiser, dá uma passadinha no meu também...
Quem sabe não gosta e fica.... E com certeza retribuirei a gentileza.
http://cristalssp.blogspot.com
Beijos
Ani
Tantas vezes Lídia, às vezes...
é esse verso preso do lado de fora de um poema, que navegando lentamente no silêncio, acaba por ser a nossa melhor semente, a provar que não existe esquecimento, apenas espera...
Um beijinho de enorme gratidão
Belo e verdadeiro poema, desses que redescobre o que sabíamos sem perceber.
Beijos.
O que fica... às vezes neste nosso viajar. Ficou muito das tuas poucas palavras.
Um beijo
BF
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