
Quando a noite tomba, são mais velozes os rios
que passam aos nossos pés.
E as mãos doridas
Intentam redesenhar os seus trajectos originais
No amanho incessante das margens.
O sal liquefeito na boca é barro, cal, líquen, aversão
Gela-se na prata abrasiva da água que transborda
Das calhas silenciosas da noite.
Esta luz ténue, ao longe, é já o bocejo do amanhecer
Ou uma miragem, apenas?
Lídia Borges
21 comentários:
"Quando a noite tomba, são mais velozes os rios
que passam aos nossos pés."
É bem verdade.
A noite tem mistérios próprios, tem o seu ritmo diferente...
Recentemente a descrevi como uma "rainha sangrenta", que tudo toma pra si.
Adorei o poema, é de uma sensibilidade ímpar, meus parabéns =)
Sim poeta, é já o bocejo do amanhecer
Miragem, apenas?
Não sei,
é melhor não esperar.
Vamos ver...
"Vamos embora,
que esperar não é saber,
quem espera faz a hora
não espera aconter"
(Este seu poema, entre o desencanto e a alvorada, é muito belo - até pela réstia de esperança que insinua. Para estimulo lembrei a quadra da canção de Geraldo Vandré, que certamente reconheceu...)
amei amei o título!
o poema também, claro. mas é tão lindo quando um título nos toca assim fundo!
beijos
E na noite td é encanto...q fácil, modela-se em poesia.
É isso aí.
[ ]´s
Olá, minha amiga poetisa. Passando para deixar o meu abraço.
Olá, boa noite
Ela vem todos os dias. Nos dias que vem mais silenciosa abraça os nossos olhos que se perdem na distância do amor, da dor e dos sonhos que nos sobram.
Lídia, cada poema seu é um momento alto do meu dia. Um alento. A poesia é-lhe devedora, minha amiga.
"Das calhas silenciosas da (minha) noite" e de partida por uns dias (longos) deixo-lhe, antecipadamente votos de Santa Páscoa...
Bem-haja
Mel
Lígia Querida
"Ou uma miragem apenas?" As interrogações que fazem parte das nossas vidas. Adorei amiga.
Beijinho
Gosto muito da tua poesia e a noite é de facto um prodígio no feitiço do imprevisível...
Beijos,
Manuela
Lídia,
Delicado, interrogativo
como imprevisível amanhecer...
Lindos, poema e imagem!
Um beijo, querida!
Marlene
Não são miragens, estas palavras belas, com que me encantas. Belo poema, Lídia. Belo!
Beijo de boa noite.
Oi Lígia
O amanhecer sempre nos acorda pra novos horizontes,portanto miragem ou nao ,que a esperança de dias melhores aconteça.
Sempre belo seu estado de poesia
abraço
Por que é a noite que sempre “tomba” ou cai e não o dia, mesmo indesejado, funesto, de aparente claridade?
Por que são lágrimas as gotas de “sal liquefeito” e não exactamente cloreto de sódio?
Choramos a noite ou é a noite que nos chora em gotículas de orvalho matinal?
Beijinho
João
Traços a delinear caminhos, de uma noite que tomba e aguarda um amanhecer, será miragem? Será aragem? Será a luz que redesenha os trilhos a percorrer?
Tem selo para você. Beijinhos ;)
Esses rios que são mais velozes e imprecisos na nossa noite nos confundem quanto a luz.
Lindo poema
beijos
Lídia
Não, não pode ser miragem, a claridade que transparece da tua poesia! É tão reconfortante rever aqui, em cada poema teu, a aurora que tanto necessitamos.
Um beijinho meu
Poema de uma imagética belíssima. De um lirismo que flui, cortante e ao mesmo tempo terno, em direção ao amanhecer... Lindo!
beijo, poetisa!
Lidia,
É tão ténue a linha que separa a realidade da miragem...
Beijos!
AL
Boa tarde.
Lindo poema.
Um abraço.
Maria Auxiliadora (Amapola)
Os mistérios da noite. Um poema perfeito. Sábias palavras.
Adorei
Beijo BF
belo, belo
beijo
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