quinta-feira, 14 de abril de 2011

Quando a noite tomba


Quando a noite tomba, são mais velozes os rios
que passam aos nossos pés.
E as mãos doridas
Intentam redesenhar os seus trajectos originais
No amanho incessante das margens.

O sal liquefeito na boca é barro, cal, líquen, aversão
Gela-se na prata abrasiva da água que transborda
Das calhas silenciosas da noite.

Esta luz ténue, ao longe, é já o bocejo do amanhecer
Ou uma miragem, apenas?

Lídia Borges

21 comentários:

Mateus Medina disse...

"Quando a noite tomba, são mais velozes os rios
que passam aos nossos pés."

É bem verdade.

A noite tem mistérios próprios, tem o seu ritmo diferente...

Recentemente a descrevi como uma "rainha sangrenta", que tudo toma pra si.

Adorei o poema, é de uma sensibilidade ímpar, meus parabéns =)

Rogério G.V. Pereira disse...

Sim poeta, é já o bocejo do amanhecer
Miragem, apenas?
Não sei,
é melhor não esperar.
Vamos ver...
"Vamos embora,
que esperar não é saber,
quem espera faz a hora
não espera aconter"

(Este seu poema, entre o desencanto e a alvorada, é muito belo - até pela réstia de esperança que insinua. Para estimulo lembrei a quadra da canção de Geraldo Vandré, que certamente reconheceu...)

ítalo puccini disse...

amei amei o título!

o poema também, claro. mas é tão lindo quando um título nos toca assim fundo!

beijos

Elcio disse...

E na noite td é encanto...q fácil, modela-se em poesia.

É isso aí.

[ ]´s

Dilmar Gomes disse...

Olá, minha amiga poetisa. Passando para deixar o meu abraço.

Unknown disse...

Olá, boa noite
Ela vem todos os dias. Nos dias que vem mais silenciosa abraça os nossos olhos que se perdem na distância do amor, da dor e dos sonhos que nos sobram.

Mel de Carvalho disse...

Lídia, cada poema seu é um momento alto do meu dia. Um alento. A poesia é-lhe devedora, minha amiga.
"Das calhas silenciosas da (minha) noite" e de partida por uns dias (longos) deixo-lhe, antecipadamente votos de Santa Páscoa...
Bem-haja
Mel

Flor de Jasmim disse...

Lígia Querida
"Ou uma miragem apenas?" As interrogações que fazem parte das nossas vidas. Adorei amiga.
Beijinho

Manuela Freitas disse...

Gosto muito da tua poesia e a noite é de facto um prodígio no feitiço do imprevisível...
Beijos,
Manuela

marlene edir severino disse...

Lídia,

Delicado, interrogativo
como imprevisível amanhecer...

Lindos, poema e imagem!

Um beijo, querida!

Marlene

Graça disse...

Não são miragens, estas palavras belas, com que me encantas. Belo poema, Lídia. Belo!


Beijo de boa noite.

lis disse...

Oi Lígia
O amanhecer sempre nos acorda pra novos horizontes,portanto miragem ou nao ,que a esperança de dias melhores aconteça.
Sempre belo seu estado de poesia

abraço

João de Sousa Teixeira disse...

Por que é a noite que sempre “tomba” ou cai e não o dia, mesmo indesejado, funesto, de aparente claridade?
Por que são lágrimas as gotas de “sal liquefeito” e não exactamente cloreto de sódio?
Choramos a noite ou é a noite que nos chora em gotículas de orvalho matinal?

Beijinho
João

Sempre disse...

Traços a delinear caminhos, de uma noite que tomba e aguarda um amanhecer, será miragem? Será aragem? Será a luz que redesenha os trilhos a percorrer?
Tem selo para você. Beijinhos ;)

angela disse...

Esses rios que são mais velozes e imprecisos na nossa noite nos confundem quanto a luz.
Lindo poema
beijos

Mª João C.Martins disse...

Lídia

Não, não pode ser miragem, a claridade que transparece da tua poesia! É tão reconfortante rever aqui, em cada poema teu, a aurora que tanto necessitamos.

Um beijinho meu

Celso Mendes disse...

Poema de uma imagética belíssima. De um lirismo que flui, cortante e ao mesmo tempo terno, em direção ao amanhecer... Lindo!

beijo, poetisa!

A.S. disse...

Lidia,

É tão ténue a linha que separa a realidade da miragem...

Beijos!
AL

Maria Auxiliadora de Oliveira Amapola disse...

Boa tarde.
Lindo poema.

Um abraço.
Maria Auxiliadora (Amapola)

BF disse...

Os mistérios da noite. Um poema perfeito. Sábias palavras.
Adorei

Beijo BF

Unknown disse...

belo, belo


beijo