quarta-feira, 29 de junho de 2011

Fala-me de ti, esta paisagem


                                                                                                                                   Pintura: Thaulow

Entre o dentro e o fora, uma janela 
a marcar o lugar onde,
num rasgo de luz,
nascem os meus dedos
para abrir portadas.


Fala-me de ti, esta paisagem
a orvalhar ternuras
por cima dos meus ombros.
É uma  linguagem de água que absorvo
como quem bebe o amor, em drageias, 
a horas certas.

Fecho a janela e não durmo.
O sono não repara
os cansaços do não vivido.

Lídia Borges



25 comentários:

Val Cruz disse...

Fecho a janela e não durmo
O sono não repara
os cansaços do não vivido... Muito bonito Lídia. Parabéns por sua poesia!

Grande beijo.

Manuela Freitas disse...

Que posso dizer deste excelente poema? Que é excelente...e fiquei soletrando a última frase «O sono não repara os cansaços do não vivido»
Bj.
Manuela

Maria Rodrigues disse...

Amiga Lindíssimo poema. Quantas vezes o sono leva tempo a chegar e mesmo dormindo de manhã a sensação de vazio permanece no nosso peito.
Relativamente a só conseguir comentar como "anónimo", eu também tive esse problema, mas disseram-me uma forma de contornar essa questão e comigo tem dado resultado.
Quando saímos do blog, devemos fechar a sessão, depois quando voltamos a entrar é pedida a nossa senha e nessa altura deve ficar vazia (sem o pico) a caixa que diz "manter a sessão iniciada".
Beijinhos
Maria

A.S. disse...

Lidia,

O meu beijo... e saudades!!!
AL

OceanoAzul.Sonhos disse...

Desta janela, nesta vida, olhamos a falta do viver.
As suas palavras tocam a alma do leitor.
Bj
oa.s

Graça Sampaio disse...

Mais uma bela história de amor daquelas que eu gosto. Cheia de dor e de melancolia.
Muito bonito. Vou copiar para o meu caderninho.
Obrigada.

Beijinhos

Anónimo disse...

Soberbo!!! É tão grande o seu poema, em sensações e imagens, que eu não saberia nem comentar...

Beijos

Akhen disse...

Lidia

Como sempre para ler e até a musica nos convida a repetir a leitura.
Tenho passado poucas vezes, mas não esqueci o caminho. Um beijo.
Que a Paz e a Luz iluminem os teus passos.

Eva Gonçalves disse...

Os sons do não vivido... que nos ensombram as noites de insónia, e nos entanto, nos parecem tão familiares, perante certas paisagens. :)Beijo

Rogério G.V. Pereira disse...

Sei
que a paisagem que fala de mim não te enternece
Como poderia enternecer?
Se o leito do meu rio secou,
se o caminho deixou de o ser
à falta de gente para o percorrer,
se as árvores tombaram com o vento norte
e se sobre o escasso casario, paira um silêncio de morte?

Nada que uma nova Primavera não resolva
e a tua memória me absolva
A mim, é o sonho que repara
os cansaços do não vivido

Rosangela Ataide disse...

E não repara mesmo... Acentua!

Lilá(s) disse...

Lindíssimo poema! como comentar mais? difícil escrever sobre a beleza mais fácil é ler e sentir...
Bjs

tecas disse...

Às vezes, não há palavras que possam dizer em plenitude, como entra na alma um poema. É este o caso.«Fecho a janela e não durmo.
O sono não repara
os cansaços do não vivido»
Sem mais comentários digo simplesmente: Sublime.
Bjito amigo e uma flor

Cris de Souza disse...

fala que admiro...

beijo, lídia!

paula barros disse...

E quanto mais dormimos mais queremos viver, o que a paisagem nos lembra.

beijo

Rosemildo Sales Furtado disse...

Realmente, há momentos em que uma paisagem marca de uma forma tão profunda, que, sempre ao vislumbrá-la, transportamo-nos aos belos momentos vividos, em doses homeopáticas.

Beijos e muita paz pra ti.

Furtado.

João de Sousa Teixeira disse...

OVERDOSE

Drageias…
ah, se as houvesse para o sonho!
Hoje mesmo ignorava
a prescrição e engolia-as duma só vez.
Depois…
Depois repousava numa nuvem qualquer
desde que imaculadamente branca
e aguardava o momento certo para me aspergir
irreversivelmente.

Beijinho
João

Dilmar Gomes disse...

Lindo o teu poema, amiga Lídia.
Um abraço fraterno. Tenha um bom dia.

Flor de Jasmim disse...

Lidia querida
É dificil comentar um poema, principalmente quando ele diz tudo.
"fecho a janela e não durmo
O sono nem repara
os cansaços do não vivido".

Sublime.Beijinho muito grande

Unknown disse...

A boca fala o que a Alma diz ao Coração.Amei o pema ,está soberbo.

Beijo meu.

Mona Lisa disse...

Olá

Soberbo!Parabéns!

"fecho a janela e não durmo
O sono nem repara
os cansaços do não vivido".

Uma realidade que conheço.

Bjs.

charlotte disse...

Lindos os seus poemas, Lídia! Gostei muito do blogue!
Obrigada pela visita:)

Um beijinho

Domingos Barroso disse...

justamente por não reparar o sono
os cansaços do não vivido
brota em uma doce alma
toda a água do amor
...

Um poema majestoso,
Lídia.


Carinhoso beijo.

Mª João C.Martins disse...

"Entre o dentro e o fora, uma janela", e o sono é, apenas, o descanso das palpebras para quem tem nos olhos um campo de girassois a beberem paisagem.

Um abraço

Sempre disse...

"Fecho a janela e não durmo. O sono não repara
os cansaços do não vivido." Hoje isto assenta-me como uma luva. Adorei. Beijinhos ;)